Eleições

O que esperar da eleição para a Assembleia Legislativa do RS

Plenário chega às urnas com menos siglas do que em 2022 e, ao menos, dez cadeiras terão novos ocupantes a partir de 2027

Eleitor gaúcho define em 4 de outubro quem ocupa as 55 cadeiras do Legislativo estadual a partir de 2027
Eleitor gaúcho define em 4 de outubro quem ocupa as 55 cadeiras do Legislativo estadual a partir de 2027 Foto : Raul Pereira / ALRS / CP

Em 4 de outubro, o eleitorado gaúcho escolhe os 55 deputados que vão compor a Assembleia Legislativa na próxima legislatura. A Casa que chega às urnas, porém, está diferente daquela escolhida pelos eleitores em 2022.

Há quatro anos, os votos distribuíram as cadeiras entre 15 partidos. Hoje, são 12 siglas representadas no plenário. A maior reorganização ocorreu na janela partidária deste ano, período de 30 dias em que deputados podem trocar de legenda sem perder o mandato por infidelidade partidária. Entre março e abril, 13 parlamentares da Assembleia mudaram de partido.

Outros dois trocaram fora desse prazo. Rodrigo Lorenzoni deixou o PL pelo PP em junho de 2025, com autorização do partido de origem, uma das hipóteses em que a lei permite a troca fora da janela. Valdir Bonatto saiu do PSDB rumo ao PSD sem essa autorização e responde a processo por infidelidade partidária. Ao todo, 15 dos 55 deputados eleitos em 2022 estão hoje em outra sigla.

O PSD concentrou boa parte das movimentações. Enquanto o único eleito pela sigla em 2022, Gaúcho da Geral, migrou para o PP, o PSD reuniu oito deputados, entre eles nomes que vieram do PSDB, como Delegada Nadine, e do PP, como Ernani Polo e Frederico Antunes. Os dois ex-progressistas, porém, não disputam a Assembleia neste ano. Polo é candidato a vice-governador na chapa de Gabriel Souza (MDB), e Antunes concorre ao Senado.

Já o PSDB passou pela mudança mais acentuada no sentido inverso. Elegeu cinco deputados em 2022 e nenhum deles permanece na sigla. No caso de Bonatto, a saída fora da janela levou o TRE-RS a decretar a perda do mandato e a dar posse à suplente tucana Zilá Breitenbach. Nesta semana, o tribunal suspendeu os efeitos da decisão enquanto o recurso tramita no TSE. Bonatto voltou ao cargo, e o PSDB segue sem representantes na Casa. Porém, uma nova decisão pode alterar essa composição.

Pela primeira vez na história recente, o PT não terá candidato próprio ao governo do Estado: Edegar Pretto é vice na chapa de Juliana Brizola (PDT). O partido elegeu 11 deputados em 2022 e mantém o mesmo tamanho de bancada.

Estar fora da cabeça de chapa, porém, não significa que o partido deixe de somar votos na disputa pela Assembleia. O PT concorre dentro da Federação Brasil da Esperança, ao lado de PCdoB e PV, e todos os votos dados aos candidatos das três siglas e às legendas entram na mesma conta. Nas federações, duas ou mais legendas funcionam como um único partido na eleição e são obrigadas a atuar juntas por, no mínimo, quatro anos.

O modelo estreou em 2022, ano em que três federações disputaram a Assembleia e elegeram 19 dos 55 deputados. A Brasil da Esperança fez a maior bancada, com 12 cadeiras: 11 do PT e uma do PCdoB. A união PSDB Cidadania elegeu cinco, todos tucanos, enquanto a PSol e Rede ficou com duas, ambas do PSol.

As três seguem de pé em 2026, e uma quarta faz sua estreia: a União Progressista, formada por PP e União Brasil, adversários há quatro anos. Agora os dois partidos somam votos, e uma vaga conquistada pelo bloco pode ficar com um candidato de qualquer das duas siglas.

Dez das 55 cadeiras já estão com “vaga aberta”

As mudanças não ficam restritas às bancadas. Antes mesmo da votação, dez das 55 cadeiras já têm troca de nome garantida, porque seus atuais ocupantes não concorrem novamente à Assembleia. Sete deputados disputam uma vaga na Câmara dos Deputados, dois são candidatos a vice-governador e um concorre ao Senado. Os outros 45 tentam permanecer no Legislativo estadual; entre eles está Halley Lino (PT), que não foi eleito titular em 2022 e assumiu a cadeira como suplente depois que Luiz Fernando Mainardi deixou a Assembleia para ser prefeito de Bagé.

Entre os que deixam a disputa estão alguns dos nomes mais votados de 2022. Gustavo Victorino (Republicanos), que liderou a última eleição com 112.920 votos, concorre à Câmara, assim como Valdeci Oliveira, o mais votado do PT, e Juvir Costella, que teve a maior votação do MDB. Silvana Covatti (PP) e Ernani Polo (PSD) disputam a vice-governadoria, enquanto Frederico Antunes (PSD) concorre ao Senado. Juntos, os dez receberam cerca de 602 mil votos há quatro anos.

A saída desses nomes também pesa na conta dos partidos. Como a eleição para deputado segue o sistema proporcional, os votos dos candidatos de uma mesma legenda ou federação são somados e definem quantas cadeiras o grupo conquista. Uma votação alta, portanto, pode contribuir para a eleição de colegas. Em 2026, as siglas precisam encontrar entre os demais candidatos parte dos votos que estavam concentrados nesses parlamentares.

O caso de Laura Sito (PT) ajuda a entender a regra. Em 2022, ela se elegeu com 36.705 votos e ficou com a última das 11 cadeiras conquistadas pelo PT. Karen Santos (PSol), também vereadora de Porto Alegre, fez mais de 40 mil votos e não entrou. A diferença esteve na soma: a Federação Brasil da Esperança reuniu votos suficientes para 12 vagas, enquanto a PSol Rede alcançou duas, ocupadas por Luciana Genro e Matheus Gomes. Nesse sistema, o desempenho do partido pesa tanto quanto o do candidato. Agora, Laura Sito também deixa a Assembleia para disputar uma vaga na Câmara.

A renovação final tende a ir além das dez vagas já abertas, porque os outros 45 deputados ainda precisam passar novamente pelas urnas. Em 2022, quando a comparação é feita com quem ocupava efetivamente uma cadeira ao fim da legislatura anterior, 31 parlamentares conseguiram permanecer e 24 eram novos ou retornavam à Assembleia, representando uma renovação de 43,6%.

Quando se compara apenas os eleitos de 2022 com os eleitos quatro anos antes, o índice chega a 50,9%.

Veja Também

Uma mudança também no perfil

Em 2022, o perfil da Assembleia gaúcha refletiu essa renovação: onze mulheres foram eleitas (20% das 55 vagas) e, de forma inédita, o Parlamento passou a contar com duas mulheres negras: Bruna Rodrigues (PCdoB) e Laura Sito (PT). Matheus Gomes, do PSol, também integrou a bancada negra eleita naquele ano. A composição escolhida em outubro permitirá medir se essa representação será mantida, ampliada ou reduzida na próxima legislatura.

A distribuição das vagas pelos partidos em 2022 e 2026

Sigla 2022 2026*
PT 11 11
PSDB 5 0
PCdoB 1 0
PSD 1 8
PP 7 7
MDB 6 6
Republicanos 5 6
PL 5 5
PDT 4 5
PSOL 2 2
Podemos 2 2
Novo 1 1
União Brasil 3 1
PSB 1 1
Total 55 55
Partidos com cadeira 15 12

Os 55 deputados eleitos em 2022 e a situação de cada um hoje

Deputado Eleito em 2022 por Situação atual
Adão Pretto PT Candidato à reeleição pelo PT
Adolfo Brito PP Candidato à reeleição pelo PP
Adriana Lara PL Candidata à reeleição pelo PL
Aloísio Classmann União Brasil Candidato à reeleição pelo PSD
Beto Fantinel MDB Candidato à reeleição pelo MDB
Bruna Rodrigues PCdoB Candidata à reeleição pelo PSB
Capitão Martim Republicanos Candidato à reeleição pelo Republicanos
Claudio Branchieri Podemos Candidato à reeleição pelo PL
Cláudio Tatsch PL Candidato à reeleição pelo PL
Delegada Nadine PSDB Candidata à reeleição pelo PSD
Delegado Zucco Republicanos Candidato à reeleição pelo Republicanos
Dirceu Franciscon União Brasil Candidato à reeleição pelo União Brasil
Dr. Thiago Duarte União Brasil Candidato à reeleição pelo PDT
Edivilson Brum MDB Candidato à reeleição pelo MDB
Eduardo Loureiro PDT Candidato à reeleição pelo PDT
Eliana Bayer Republicanos Candidata à reeleição pelo Republicanos
Elizandro Sabino PTB Candidato à reeleição pelo Republicanos
Elton Weber PSB Candidato à reeleição pelo PSD
Ernani Polo PP Candidato a vice-governador pelo PSD, na chapa de Gabriel Souza (MDB)
Felipe Camozzato Novo Candidato a deputado federal pelo Novo
Frederico Antunes PP Candidato ao Senado pelo PSD
Gaúcho da Geral PSD Candidato à reeleição pelo PP
Gerson Burmann PDT Candidato à reeleição pelo PDT
Gilmar Sossella PDT Candidato à reeleição pelo PDT
Guilherme Pasin PP Candidato à reeleição pelo PP
Gustavo Victorino Republicanos Candidato a deputado federal pelo Republicanos
Halley Lino* PT

Candidato à reeleição pelo PT, em 2022 ficou como suplente e assumiu oficialmente após vitória de Mainardi

Jeferson Fernandes PT Candidato à reeleição pelo PT
Joel Wilhelm PP Candidato à reeleição pelo PP
Juvir Costella MDB Candidato a deputado federal pelo MDB
Kaká D'Ávila PSDB Candidato à reeleição pelo Podemos
Kelly Moraes PL Candidata à reeleição pelo PL
Laura Sito PT Candidata a deputada federal pelo PT
Leonel Radde PT Candidato à reeleição pelo PT
Luciana Genro PSOL Candidata à reeleição pelo PSOL
Luciano Silveira MDB Candidato à reeleição pelo MDB
Luiz Fernando Mainardi* PT Prefeito de Bagé; a vaga é ocupada por Halley Lino (PT), candidato à reeleição
Luiz Marenco PDT Candidato à reeleição pelo PDT
Marcus Vinícius PP Candidato à reeleição pelo PP
Matheus Gomes PSOL Candidato à reeleição pelo PSOL
Miguel Rossetto PT Candidato à reeleição pelo PT
Neri, o Carteiro PSDB Candidato à reeleição pelo PSD
Paparico Bacchi PL Candidato à reeleição pelo PL
Patrícia Alba MDB Candidata a deputada federal pelo MDB
Pedro Pereira PSDB Candidato à reeleição pelo PSD
Pepe Vargas PT Candidato à reeleição pelo PT
Rodrigo Lorenzoni PL Candidato à reeleição pelo PP
Ronaldo Santini Podemos Candidato à reeleição pelo Podemos
Sergio Peres Republicanos Candidato à reeleição pelo Republicanos
Silvana Covatti PP Candidata a vice-governadora pelo PP, na chapa de Luciano Zucco (PL)
Sofia Cavedon PT Candidata à reeleição pelo PT
Stela Farias PT Candidata à reeleição pelo PT
Valdeci Oliveira PT Candidato a deputado federal pelo PT
Valdir Bonatto PSDB Candidato à reeleição pelo PSD; mandato em disputa no TSE
Vilmar Zanchin MDB Candidato a deputado federal pelo MDB
Zé Nunes PT Candidato à reeleição pelo PT

FAQ - Eleições

Tire todas as suas dúvidas sobre o processo eleitoral.

Especial Eleições

Simulador de urna eletrônica