O último bloco de perguntas entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul foi marcado por provocações e deboches entre os candidatos e também entre o público presente no Teatro da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs). Último debate do primeiro turno, o evento foi promovido por Correio do Povo, Rádio Guaíba e pela Amrigs, o debate ocorreu no auditório da entidade, com apresentação de Lasier Martins. O evento contou a presença dos quatro candidatos cujos partidos têm representação no congresso nacional: Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB).
Zucco optou por chamar Juliana para o primeiro embate, tendo como tópico a concessão de rodovias gaúchas, em especial do bloco 2 e 3. Na resposta, a candidata reforçou apoio às concessões, desde que feitas de forma transparente, criticando a modelagem adotada pelo atual governo. A pedetista também comentou que "o serviço tem que melhorar e a tarifa precisa ser justa". Na réplica, Zucco comentou sobre os impactos dos aumentos das tarifas nas despesas da população, além de também criticar a condução, indicando que "o governo não foi feliz nas suas concessões".
Nesse momento, ocorreu o primeiro pico de tensão entre Juliana e parte do público. Ao selecionar Zucco para retribuir a questão que o oponente havia feito, parte do público ironizou e riu da escolha, o que tensiona o ambiente, em especial entre os grupos de apoiadores da pedetista contra a base dos demais oponentes. Juliana chegou a ensaiar uma resposta ao público, mas foi solicitada que voltasse ao questionamento.
A candidata questionou Zucco sobre segurança pública, voltando o assunto para proteção de vítimas de violência doméstica e contra a mulher. No início da resposta, Zucco falou das facções, mas abordou também o reforço de medidas já existentes, como tornozeleiras eletrônicas. Juliana falou na réplica sobre identificar os sinais de comportamentos abusivos e propondo políticas de instrução nas escolas, proposta que Zucco manifestou estar alinhado com a rival.
Gabriel questionou Maranata sobre gestão de recursos e investimento privado, que criticou as propostas dos rivais, insinuando que os oponentes "Só tem essa fala que vão atrás do agiota, que é o governo federal". Também incluiu na resposta um comentário sobre retenção de talentos no RS através do investimento em qualificação técnica.
Gabriel usou do tempo de réplica para criticar a ausência de resposta objetiva de Juliana em um questionamento anterior sobre a revogação da reforma da previdência para os servidores.
O segundo momento de provocação ocorreu na última pergunta, retribuída de Maranata para Gabriel. O candidato tucano questionou sobre um enfrentamento recente que o emedebista teve com Zucco, onde Gabriel questionou a indicação de Paulo Lopes, ex-secretaria da Causa Animal de Canoas, que supostamente teria vindo do candidato do PL. Na ocasião, Zucco pediu que Gabriel provasse a relação. O emedebista usou o espaço da resposta para ler o post do Instagram onde Paulo Lopes agradecia a confiança e indicação do rival. Essa troca levou a um pedido de resposta solicitado por Zucco, que foi analisado e não foi concedido.
Paula Lopes é apontada como a principal investigada da Operação Carrasco, da Polícia Civil. Em junho deste ano, ela foi foi indiciada por maus-tratos, estelionato, associação criminosa e violação de sigilo funcional.
Na réplica e na tréplica, os candidatos citaram processos feitos durante as gestões no executivo, com Maranata citando a criação da Secretaria de Bem Estar Animal em Guaíba e Gabriel apontando os investimentos em castração de cães e gatos feitos pelo governo do Estado.
