Eleições

PT quer os votos da classe C para ampliar votação de Lula no RS

Parcela da sociedade é considerada fundamental pelo partido no RS para tentar diminuir diferença de meio milhão de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro

Lideranças partidárias, estudantes, militantes e apoiadores de Lula estiveram reunidos no Largo Zumbi dos Palmares
Lideranças partidárias, estudantes, militantes e apoiadores de Lula estiveram reunidos no Largo Zumbi dos Palmares Foto : Ryan Rodrigues/Divulgação/CP

Não é apenas uma questão geográfica. A 'busca ativa' de votos para Lula no RS no segundo turno da eleição presidencial vai atrás dos eleitores da classe C, estejam eles na Capital, na 'Linha do Trem', ou espalhados pelo Estado. A definição ocorre após uma semana inteira na qual, enquanto petistas e aliados se estendiam em reuniões de avaliação, estudantes saíram as ruas por conta própria para manifestar apoio ao mandatário na corrida. E pesquisadores de diferentes institutos comprovaram, com números, que foi na classe C que Lula mais perdeu votos.

É um segmento formado hoje por microempreendedores individuais (MEIs), trabalhadores de plataformas, profissionais de nível técnico e outras categorias que, ou apostaram, ou ainda sonham em se transformar em empreendedores e melhorar suas condições financeiras.

Eles não se sensibilizam com promessas ou conquistas de trabalhadores com carteira assinada, porque já saíram desta condição ou a desprezam. Nos últimos pleitos, se aproximaram da direita no espectro político. Em Porto Alegre, há dois anos, foram determinantes para garantir a reeleição do prefeito Sebastião Melo (MDB).

O discurso para conquistar a classe C inclui, além do fim da jornada 6x1, endurecimento de medidas para a segurança, defesa da tarifa zero no transporte público, aumento dos limites do MEI e do Simples e imposto zero sobre produtos da cesta básica. Após o resultado do primeiro turno, as lideranças petistas gaúchas se convenceram de que, para ter alguma chance de sucesso, precisam formar sua própria ‘onda’, e de que ela depende desse estrato da sociedade.

Constataram, por exemplo, que, na Capital, há uma fatia do eleitorado que votou Lula/Zucco. E traçaram, em conjunto com o PSol, um planejamento para tentar converter tudo o que for possível dentro de uma cota mínima estimada em 100 mil votos. Ela leva em conta, além da escolha Lula/Zucco, os 35 mil votos a menos que o presidente fez na Capital (mesmo vencendo), na comparação com o primeiro turno de 2022, e a abstenção de 23,99%. Que, em números absolutos, equivale a um contingente de 255.333 eleitores.

Para a linha de frente dos movimentos em Porto Alegre foram escaladas a candidata derrotada ao Senado, Manuela D’Ávila, e a deputada federal Fernanda Melchionna, ambas do PSol. Melchionna foi reeleita com 280 mil votos, sendo quase 40% deles em Porto Alegre.

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Na reunião fechada realizada na quinta-feira, na sede do PT, para estruturar a campanha, Manuela solicitou a manutenção de um grupo de trabalho que trate especificamente das agendas, aproveitando o fôlego fornecido pelas manifestações levadas a cabo por estudantes. “Vamos ficar com o adesivo no peito. Vamos continuar com os mutirões com todas as nossas deputadas eleitas em Porto Alegre. E vamos manter, todos os dias, carros de som, com a gente em cima, nas comunidades”, elencou.

O deputado federal Paulo Pimenta, também derrotado ao Senado, fez uma advertência em relação ao tradicional modo petista de se organizar. “Não é para ir na cidade fazer plenária. É para ir para a rua. Precisamos garantir um ambiente de ofensiva.”

A região Metropolitana, que concentra muitos votos, e onde governos à esquerda já foram dominantes, mas nos últimos anos foram substituídos por alternativas ao centro e à direita, é considerada um desafio à parte. Entre as tarefas distribuídas para a militância, estão a de procurar por pelo menos cinco conhecidos, sejam amigos, familiares ou vizinhos, e conversar sobre a eleição e o voto.

Aos deputados, foi determinado que permaneçam todo o tempo possível em suas bases eleitorais, e que organizem agendas em periferias das cidades. A ordem é que adotem ritmo de maratona. Edegar Pretto, que coordena a campanha de Lula no Estado, por exemplo, percorrerá, no fim de semana, sete cidades do Litoral e do Planalto Médio.

Em reservado, diferentes articuladores petistas admitem que o desafio é muito grande. E que o tempo é curto. Para eles, contudo, virou uma ‘questão de honra’ aumentar a votação de Lula no segundo turno. Porque o RS foi um dos estados onde o presidente mais perdeu eleitores. O meio milhão a menos, além de alcançar destaque nas comparações internas, fez bastante falta no universo de 2,2 milhões de votos que separou o presidente de Flávio Bolsonaro (PL) em todo o país.

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