Para as Eleições 2026, cada candidato a disputar o Palácio Piratini assumiu uma cartela de compromissos com seus eleitores: os chamados planos de governo. Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL), Marcelo Maranata (PSDB), Cesar Pontes (PCO), Priscila Voigt (UP) e Rejane de Oliveira (PSTU) apresentaram suas propostas, que, inclusive, desde dia 15 de agosto, estão disponíveis publicamente para consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre os objetivos traçados, o que mais aparece é um consenso sobre a necessidade de prevenir novas tragédias, melhorar alertas, fortalecer a Defesa Civil e investir em infraestrutura. As diferenças aparecem na concepção de resiliência: alguns priorizam grandes obras e gestão de riscos enquanto outros incorporam planejamento urbano, soluções baseadas na natureza, ciência, moradia e desigualdade social.
Confira abaixo o quadro de propostas de cada um dos candidatos:
As propostas de Gabriel Souza (MDB)
O candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Gabriel Souza, aborda a “Resiliência Climática” no Eixo 4 de seu plano de governo. No primeiro tópico, em “Governança climática e ambiental”, as principais propostas e novidades transitam entre criar uma plataforma digital para integração, compartilhamento e gestão de dados ambientais entre Estado, municípios e União e uma outra pública e digital, para consulta, com base em dados georreferenciados e legislação vigente.
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Também está dentro de suas propostas financiar e apoiar projetos de adaptação climática, prevenção de riscos, infraestrutura resiliente e segurança hídrica.
- Além disso, o mandato de Gabriel terá como objetivo reforçar as políticas que envolvem as etapas da rede que trabalham com resíduos sólidos urbanos, tendo como premissa os princípios da economia circular.
- No tópico dois, em “adaptação climática” as propostas prioritárias incluem a consolidar a implementação do ProClima 2050, ampliar instrumentos de financiamento climático e fortalecer a capacidade institucional.
- No terceiro tópico, em “Gestão de Riscos e Defesa Civil”, a ideia é implantar uma rede integrada e automatizada de comunicação do risco, garantindo que alertas cheguem de forma rápida, clara e territorializada à população, salvando vidas e reduzindo danos; Transformar a população em aliada da prevenção, com redes comunitárias de monitoramento e programas de capacitação e levar a cultura de prevenção para dentro das escolas.
- Ainda, dentro de sua proposta “Infraestrutura Resiliente”, o candidato tem como prioridade ampliar investimentos em obras estruturantes de proteção contra cheias.
As propostas de Juliana Brizola (PDT)
A candidata do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Juliana Brizola, organizou suas propostas para a crise climática no Eixo 2, desdobrando as propostas em diferentes segmentações. O primeiro delas trata-se de “Saneamento básico, recursos hídricos e comitês de bacia”, que traz soluções de drenagem sustentável e infraestrutura verde para as cidades, como: parques lineares, bacias de retenção, jardins de chuva e pisos permeáveis, além da adaptação das estações de tratamento de água e esgoto aos riscos de inundação.
- Na segunda segmentação, entra a “Defesa Civil e Gestão Preditiva de Riscos Climáticos”. Aqui o objetivo é incorporar a ciência do clima à estrutura pública estadual e ampliar a capacidade de pesquisa, previsão meteorológica e monitoramento dos rios. Segundo seu plano de governo, será implantado um Sistema Integrado de Alerta Precoce nas bacias críticas e profissionalizado o quadro técnico da Defesa Civil, com meteorologistas, geólogos, oceanógrafos, engenheiros e outros especialistas.
- Em seu mandado, o Estado apoiará os 497 municípios na elaboração e atualização de planos de contingência e evacuação, na realização de simulados e no mapeamento das áreas sujeitas a inundações e deslizamentos. A prevenção será construída em parceria com comunidades, escolas e instituições científicas, com a formação de brigadas comunitárias de Defesa Civil e a criação de uma rede gaúcha de pesquisa sobre eventos extremos, articulada pela Fapergs e integrada às universidades públicas e comunitárias.
- Juliana também assegura que serão adotados protocolos específicos de proteção e resgate de animais em desastres, incorporados conteúdos de percepção de risco e autoproteção nas escolas e assegurado o acesso público aos dados produzidos por radares e estações meteorológicas estaduais.
As propostas de Luciano Zucco (PL)
O candidato do Partido Liberal (PL), Luciano Zucco, trouxe no Eixo 3 de seu plano de governo o tema “Defesa Civil e Resiliência Climática”. Entre seus objetivos para o Rio Grande do Sul nos próximos quatro anos, está priorizar a prevenção de desastres, o fortalecimento da defesa civil estadual, a conclusão da rede de monitoramento, a qualificação dos alertas à população, dar prioridade as obras de redução de riscos, garantir a manutenção das estruturas de proteção, organizar a logística de emergência, qualificar abrigos, voluntários e doações e planejar a recuperação resiliente, desenvolvimento sustentável e gestão ambiental.
- Profissionalizar e ampliar a capacidade permanente da Defesa Civil, com equipes técnicas, coordenações regionais, operação ininterrupta, equipamentos, telecomunicações redundantes, protocolos padronizados e estrutura adequada de comando e resposta;
- Instituir programa permanente de assistência técnica, capacitação, cofinanciamento e avaliação das estruturas municipais, priorizando os territórios de maior risco;
- Concluir radares, estações hidrológicas e meteorológicas, sensores geotécnicos e demais sistemas de observação, assegurando cobertura territorial e fazendo o intercâmbio de dados com União, municípios e instituições científicas;
- Emitir alertas claros, acessíveis e geograficamente precisos, informando o risco, a área atingida, o período esperado e as providências que a população deve adotar;
- Atualizar continuamente os mapas de inundação, enxurrada, deslizamento, estiagem;
- Inventariar diques, casas de bombas, canais, comportas, reservatórios e demais estruturas críticas, definindo responsáveis, padrões de inspeção, planos de manutenção, fontes de financiamento e divulgação periódica de suas condições de funcionamento;
- Estruturar centros e estoques regionais, fornecedores alternativos e rotas de distribuição para assegurar o rápido fornecimento de água, alimentos, medicamentos, combustível, geradores;
- Adotar modelo padronizado de comando de incidentes e instituir mecanismos de cooperação entre municípios, especialmente em bacias hidrográficas e regiões metropolitanas, para integrar alertas, evacuações, abrigamento, logística, equipamentos e operações de resposta.
As propostas de Marcelo Maranata (PSDB)
O candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Marcelo Maranata, tratou do combate à crise climática no Eixo 3 de seu plano de governo, o entitulando de “Desenvolvimento social e resiliência climática”. Seus compromissos estratégicos abordam infraestrutura, logística e proteção contra cheias e suas principais propostas são:
- Tratar a proteção contra cheias como prioridade absoluta do governo
- Atualizar imediatamente os estudos e projetos das cinco principais bacias relacionadas à proteção metropolitana
- Definir responsabilidades entre Estado, União, municípios e estruturas metropolitanas
- Recuperar diques, comportas, casas de bombas, canais e sistemas de drenagem
- Criar uma autoridade técnica de resiliência metropolitana, com governança compartilhada e controle social
- Implantar sistemas modernos de monitoramento hidrológico e alertas multicanal
- Criar planos de contingência para hospitais, escolas, abrigos, estações de energia, saneamento e telecomunicações
- Reformular o modelo de concessões rodoviárias, buscando separar, quando técnica e juridicamente viável, grandes investimentos estruturais das atividades de manutenção e atendimento ao usuário
- Utilizar recursos públicos e financiamentos de longo prazo para duplicações, viadutos e obras de maior impacto, reduzindo a pressão dessas intervenções sobre as tarifas
- Estabelecer tarifas socialmente suportáveis, revisão independente de contratos e divulgação dos custos
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Cesar Pontes (PCO) não apresentou propostas
O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) não apresentou propostas para o combate à crise climática no Rio Grande do Sul em seu plano de governo.
As propostas de Priscila Voigt (UP)
A candidata do partido Unidade Popular (UP) traz em seu programa de governo, mais enxuto e direto, a defesa contra as enchentes e reforma urbana e a construção e desenvolvimento de estruturas de defesas nas cidades e a nível de estado contra cheias e inundações. Também aparecem em suas propostas:
- O fortalecimento e a reconstrução das estruturas, diques e sistemas de defesa destruídos nas últimas cheias;
- Construção e entrega de moradias definitivas para todas famílias atingidas pelas enchentes e ainda não contempladas pelo governo, incluindo as famílias que hoje estão em moradias temporárias;
- Criação de frentes emergenciais de trabalho para realização de obras públicas a partir das cidades e bairros pobres e com menor infraestrutura, implementação de saneamento básico, construção de postos de saúde, hospitais, escolas, calçamento, reativação de parques industriais abandonados e adequação das casas afetadas pelas enchentes.
As propostas de Rejane de Oliveira (PSTU)
A candidata do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) traz no Eixo 6 de seu programa eleitoral a “Prevenção e Reparação de Eventos Climáticos”. Dentre as propostas, está a defesa da constituição de conselhos de trabalhadores organizados para elaboração e aplicação de planos de prevenção, proteção e enfrentamento aos eventos climáticos. Confira abaixo outras estratégias do mandato de Rejane:
- Utilizar os recursos do Funrigs exclusivamente para obras dos sistemas de proteção e execução imediata de obras estatais de macrodrenagem, contenção de encostas nas áreas de risco periféricas e reflorestamento urbano, proibindo a especulação imobiliária e as construções prediais predatórias em zonas de mananciais;
- Destinação de parte dos excedentes das empresas expropriadas num plano de enfrentamento ao colapso climático e ambiental e para garantir a manutenção, acompanhamento e aprimoramento dos sistemas de proteção existentes e novos;
- Exigir dos governos a utilização de todos os prédios desocupados do poder público para serem convertidos em moradias de interesse social;
- Movimentar recursos para indenização imediata das perdas dos trabalhadores e pequenos negócios nas inundações de 2024;
- Criar um plano estadual vinculante de adaptação climática por bacia e região, com sistema público de alertas, abrigos, arborização das periferias, recuperação de várzeas, nascentes e matas ciliares e protocolos de proteção para a população em variados tipos de eventos climáticos extremos.
*Com supervisão de Thiago Padilha
