Faltando 33 dias para o primeiro turno das Eleições 2026, o Correio do Povo compilou as propostas de governo do Rio Grande do Sul dos quatro principais candidatos ao Palácio Piratini sobre o tema saúde. Acabar ou reduzir as filas, levar serviços especializados para mais perto dos pacientes e fortalecer a atenção básica estão entre os principais pontos em comum entre os planos de governo dos quatro principais candidatos. Veja a seguir o que Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) propuseram para seus mandatos.
As propostas de Gabriel Souza (MDB)
No plano de governo do atual vice-governador do Estado, a saúde aparece no Eixo 2 “Cuidar das pessoas”. O candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) reconhece o envelhecimento acelerado da população amplia a demanda por cuidados continuados e faz crescer a incidência de doenças crônicas e outras condições associadas ao avanço da idade.
Ao mesmo tempo, Gabriel entende que os desafios ligados às doenças transmissíveis não desapareceram e que esse quadro se torna ainda mais complexo diante das mudanças climáticas. Veja abaixo suas propostas:
- Consolidar a atenção primária como coordenadora do cuidado, promovendo ações de prevenção e integração da rede de atenção, assegurando cuidado integral e continuidade do acompanhamento da primeira infância ao envelhecimento;
- Reduzir os tempos de espera para consultas, exames e cirurgias por meio da gestão regional das filas assistenciais e da ampliação da oferta de serviços especializados, qualificando o acesso da população à atenção especializada;
- Aprimorar o Programa SUS Gaúcho, o Assistir e a Regionalização CIB 50, ampliando a capacidade resolutiva das regiões de saúde e garantindo maior sustentabilidade à rede hospitalar;
- Ampliar e consolidar a política Saúde 60+, fortalecendo as linhas de cuidado da pessoa idosa, com atenção específica às demências e à interface com a oncologia, integrando atenção primária, atenção especializada e rede hospitalar;
- Fortalecer as linhas de cuidado das doenças crônicas não transmissíveis, ampliando as ações de promoção da saúde, prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce, tratamento, reabilitação e acompanhamento longitudinal, com integração entre a Atenção Primária, a Atenção Especializada e a Rede Hospitalar, visando reduzir a mortalidade prematura, as incapacidades e as desigualdades no acesso ao cuidado;
- Reforçar a Rede de Atenção Psicossocial, ampliando o acesso aos serviços regionalizados, qualificando a atenção às diferentes faixas etárias e fortalecendo ações de prevenção e promoção da saúde mental;
- Consolidar e ampliar programas estruturantes como Rede Bem Cuidar RS, PIAPS, TEAcolhe, Ser Mulher, CRAIPs, Farmácia Cuidar+, Imuniza Escola e Qualifica Vigilância, fortalecendo a prevenção, a coordenação do cuidado e a integração entre os diferentes níveis de atenção;
- Qualificar as linhas de cuidado materno-infantil, ampliando a atenção à gestação, ao parto, ao puerpério, ao desenvolvimento infantil e à prevenção da mortalidade materna e infantil, em articulação com a Política Estadual da Primeira Infância;
- Fortalecer a gestão dos hospitais, especialmente de pequeno e médio porte, por meio de apoio técnico, capacitação, modernização de processos e implantação de indicadores de desempenho, ampliando a eficiência e a sustentabilidade das instituições;
- Robustecer a capacidade de resposta do SUS às emergências sanitárias e climáticas, fortalecendo a vigilância em saúde, a preparação da rede e a resiliência da infraestrutura assistencial;
- Consolidar a transformação digital do SUS, promovendo a interoperabilidade entre os sistemas de informação, a integração do prontuário eletrônico do cidadão em todos os níveis de atenção, a ampliação do uso da telemedicina e de outras soluções digitais, fortalecendo a governança dos dados, a segurança da informação, a inteligência analítica, a modernização da regulação e o uso de tecnologias inovadoras para qualificar a assistência, a gestão e o planejamento em saúde.
As propostas de Juliana Brizola (PDT)
A candidata do Partido Democrático Trabalhista (PDT) inseriu a saúde no Eixo 1 de seu plano de governo, em “Saúde pública, Regionalização do SUS, Complexo industrial da saúde”. O documento enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que o Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul enfrenta graves gargalos decorrentes da descentralização incompleta e da insuficiência de financiamento, que sobrecarrega os municípios.
No documento, Juliana entende que a concentração de leitos de alta complexidade e de exames especializados na região Metropolitana obriga milhares de pacientes do interior a percorrer longas distâncias em busca de atendimento, fenômeno conhecido como “ambulancioterapia”. O plano de governo também reconhece as filas para cirurgias eletivas e consultas com especialistas cresceram de forma expressiva e que precisam de maior atenção. Veja abaixo suas propostas:
- Aplicar integralmente o piso constitucional de 12% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLIT) em Ações e Serviços Públicos de Saúde, assegurando regularidade dos repasses ao SUS estadual e aos municípios;
- Fortalecer a Atenção Primária com ampliação do financiamento da Estratégia Saúde da Família e incentivos à fixação de profissionais em pequenos municípios e periferias;
- Implementar uma força tarefa estadual para zerar as filas de espera por cirurgias eletivas, exames de alta complexidade e consultas especializadas;
- Regionalizar a média e alta complexidade, fortalecendo hospitais-polo, UTIs e serviços especializados no interior;
- Fortalecer as redes de saúde mental, materno-infantil e de atenção às pessoas com Transtorno de Espectro Autista (TEA), com expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e qualificação do atendimento;
- Criar a Força Estadual de Resposta Rápida do SUS, preparada para emergências sanitárias, epidemias e desastres socioambientais e promoverá a adaptação climática das unidades de saúde;
- Interiorizar as residências médicas e multiprofissionais, modernizados o SAMU 192 e o transporte aeromédico público e regionalizados os serviços do LACEN, fortalecendo a vigilância sanitária e ambiental;
- Reestruturar as 18 Coordenadorias Regionais de Saúde como núcleos de planejamento e apoio técnico do SUS, enquanto o poder de compra do Estado, em articulação com universidades e o setor produtivo, será utilizado para atrair indústrias farmacêuticas, de equipamentos médicos e biotecnologia.
As propostas de Luciano Zucco (PL)
O plano de governo do candidato do Partido Liberal (PL) interpreta que a saúde pública do Rio Grande do Sul enfrenta um desafio que vai muito além do financiamento: trata-se de um problema de acesso, organização e gestão. O documento enviado ao TSE reconhece que milhares de gaúchos aguardam por consultas especializadas, exames, cirurgias e tratamentos, muitas vezes por períodos incompatíveis com a gravidade de suas condições clínicas. A rede assistencial permanece marcada por fortes desigualdades regionais, fragmentação entre os diferentes níveis de atenção, dificuldades de integração entre hospitais e serviços ambulatoriais e baixa interoperabilidade das informações em saúde.
Ao mesmo tempo, o projeto de Zucco percebe o envelhecimento da população, o crescimento das doenças crônicas, o aumento dos transtornos de saúde mental, a necessidade de fortalecer a prevenção e a preparação para novas emergências sanitárias. Veja abaixo suas propostas:
- Instituir uma política estadual permanente para ampliar consultas, reduzir filas, exames, cirurgias e tratamentos especializados, integrando recursos estaduais e federais;
- Organizar uma fila única e transparente, integrando a regulação de consultas, exames, cirurgias, leitos e eliminando duplicidades, permitindo que o cidadão acompanhe a situação;
- Fortalecer a atenção primária, principal porta de
entrada do SUS, com foco em acesso, vacinação, pré-natal, saúde mental, saúde bucal, doenças crônicas, coordenação dos encaminhamentos e redução das internações evitáveis;
-
Regionalizar a atenção especializada, ampliando a oferta de especialistas, exames e tratamentos, combinando atendimento presencial, a telessaúde e o transporte sanitário;
-
Fomentar e fortalecer os consórcios municipais para mapear o custo dos serviços e renegociar contratos mais justos, reduzindo o aporte dos municípios;
-
Qualificar a rede hospitalar, vinculando recursos estaduais a metas de acesso, qualidade, segurança, eficiência, integração regional e prestação de contas, com apoio técnico aos hospitais que necessitem melhorar sua gestão;
-
Investir na infraestrutura dos hospitais, consolidando mecanismos de financiamento para obras e novos equipamentos;
-
Ampliar a saúde digital, expandindo a telessaúde, teleinterconsulta, telediagnóstico e monitoramento remoto para reduzir deslocamentos desnecessários;
-
Integrar dados do paciente, conectando prontuários, fortalecendo o histórico clínico longitudinal e reduzindo a repetição de exames;
-
Fortalecer a saúde mental, ampliando e regionalizando a Rede de Atenção Psicossocial, fortalecendo a atenção primária, os CAPS, o cuidado de crianças e adolescentes, a prevenção do suicídio e o atendimento relacionado ao uso prejudicial de álcool e outras drogas;
-
Acelerar o diagnóstico e o tratamento do câncer, organizando linhas regionais de cuidado oncológico, reduzindo tempo de suspeita, confirmação e início do tratamento. Além de ampliar o acesso a anatomia patológica, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e cuidados paliativos;
-
Modernizar a assistência farmacêutica, integrando compras, estoques, distribuição,
dispensação e acompanhamento terapêutico para reduzir faltas, perdas, interrupções de
tratamento e judicialização evitável;
-
Qualificar a rede materna e infantil, assegurando pré-natal de risco habitual e alto risco, parto
seguro, atenção neonatal, cuidado no puerpério, vacinação e acompanhamento do desenvolvimento infantil, em articulação com a política de Primeira Infância;
-
Integrar vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e laboratorial, ampliando vacinação,
controle de doenças transmissíveis, rastreamentos baseados em evidências e prevenção das
complicações das doenças crônicas;
-
Manter planos de continuidade para hospitais e demais serviços, com estoques estratégicos,
transporte, medicamentos, oxigênio, energia, comunicação, vigilância e protocolos de resposta
a desastres, epidemias e períodos sazonais de maior demanda;
-
Planejar a força de trabalho, apoiar o provimento de profissionais em regiões desassistidas e
ampliar educação permanente, protocolos baseados em evidências, segurança ocupacional e
formação em áreas prioritárias da rede;
-
Monitorar e divulgar indicadores de acesso, tempo de espera, qualidade, segurança, desfechos,
cobertura vacinal, disponibilidade de medicamentos, desigualdade regional, execução
financeira e experiência do usuário, vinculando decisões e incentivos aos resultados
alcançados;
-
Revisar o Programa Assistir: Seus critérios, incentivos e mecanismos de financiamento, corrigindo distorções na distribuição dos recursos, reavaliar também os critérios de alocação considerando a demanda efetivamente atendida, os fluxos regionais e intermunicipais de pacientes, a complexidade dos serviços, a produção assistencial e os resultados alcançados;
-
Escutar as demandas específicas e regionalizadas sobre o atendimento de pessoas com
Transtorno do Espectro Autista (TEA), aprimorando programas como o TEAcolhe e
aperfeiçoando parcerias com entidades de acolhimento;
-
Revisar o modelo de gestão do IPE Saúde, incorporando práticas de eficiência e governança
adotadas na saúde suplementar privada, com foco na sustentabilidade financeira, na melhoria
do atendimento aos segurados e na qualificação da relação com a rede credenciada;
-
Integrar a saúde animal, humana e ambiental, consolidando a abordagem de Saúde Única para enfrentar zoonoses, resistência aos antimicrobianos, riscos alimentares e agravos compartilhados, com vigilância e intercâmbio de informações entre agricultura, saúde, meio ambiente, universidades e municípios.
As propostas de Marcelo Maranata (PSDB)
O candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) inseriu no documento enviado ao TSE o tema saúde em “Compromissos Estratégicos”, no tópico “Saúde mais próxima das pessoas”.
Seu plano de governo promete que o Estado aplicará, no mínimo, o percentual constitucional de 12% das receitas definidas em lei em ações e serviços públicos de saúde. De acordo com o documento, esse percentual será tratado como piso, não como teto. Veja abaixo suas propostas:
- Organizar a rede estadual em sete grandes polos regionais de saúde, com centros de especialidades próximos à residência dos pacientes;
- Reduzir a chamada “ambulancioterapia”, evitando que cidadãos precisem percorrer centenas de quilômetros para consultas, exames ou procedimentos que podem ser regionalizados;
- Aperfeiçoar e integrar os sistemas estaduais de regulação e acompanhamento das filas do SUS, incluindo o GERCON, os painéis de regulação e o SUS Gaúcho, consolidando uma central estadual unificada e auditável, com posição do paciente, prioridade clínica, tempo estimado e capacidade disponível por região;
- Fortalecer e ampliar o SUS Gaúcho e as demais estratégias de redução das filas, estabelecendo metas anuais para consultas, exames e cirurgias, com divulgação mensal dos resultados;
- Liderar uma articulação nacional pela revisão da tabela SUS, apresentando estudos de custo e defendendo valores compatíveis com a realidade dos hospitais;
- Fortalecer e expandir os centros e as redes regionais de referência em traumatologia, ortopedia, hemodiálise e outras especialidades, priorizando as regiões desassistidas;
- Replicar modelos hospitalares de alta eficiência, com protocolos clínicos, gestão profissional, compras planejadas e acompanhamento de resultados;
- Desenvolver e fortalecer um hub estadual de saúde, inovação e tecnologia, articulando universidades, hospitais, startups, indústria e centros de pesquisa;
- Priorizar projetos de biotecnologia, telemedicina, dispositivos médicos, inteligência artificial aplicada à saúde e soluções voltadas ao envelhecimento populacional;
- Fortalecer a atenção primária, a prevenção, a vacinação, a saúde mental e o cuidado continuado das doenças crônicas;
- Ampliar a rede de atendimento em saúde mental e dependência química, articulando CAPS, hospitais, atenção básica e assistência social;
- Criar consórcios intermunicipais de compras de medicamentos, equipamentos e insumos, aumentando a escala e reduzindo custos;
- Saúde: regionalização, atenção primária e acesso especializado;
- Fortalecer atenção primária e co-financiamento por desempenho e equidade. A medida será implementada por programa específico, com órgão responsável, cronograma, fonte de financiamento, recorte territorial e metas anuais;
- Regionalizar consultas, exames e cirurgias especializadas. A medida será implementada por programa específico, com órgão responsável, cronograma, fonte de financiamento, recorte territorial e metas anuais;
- Criar fila única transparente para procedimentos eletivos;
- Expandir telemedicina e apoio clínico às equipes municipais;
- Integrar prontuários e informações assistenciais;
- Ampliar linhas de cuidado para câncer, cardiovascular e saúde materno-infantil;
- Fortalecer saúde mental e atenção a álcool e outras drogas;
- Melhorar regulação de leitos e transporte sanitário;
- Fortalecer e ampliar a Política Estadual de Saúde da Pessoa Idosa, o Saúde 60+ RS e o Plano Estadual de Cuidado Integral em Demências;
- Publicar tempos de espera, desfechos e qualidade por região;
- Organizar a rede estadual em sete grandes polos regionais de saúde, com centros de especialidades próximos à residência dos pacientes;
- Reduzir a “ambulancioterapia”, evitando que cidadãos precisem percorrer centenas de quilômetros para consultas, exames ou procedimentos que podem ser regionalizados;
- Aperfeiçoar e integrar os sistemas estaduais de regulação e acompanhamento das filas do SUS, incluindo o GERCON e os painéis de regulação e o SUS Gaúcho;
- Fortalecer e ampliar o SUS Gaúcho e as demais estratégias de redução das filas, estabelecendo metas anuais para consultas, exames e cirurgias, com divulgação mensal dos resultados;
- Liderar uma articulação nacional pela revisão da tabela SUS, apresentando estudos de custo e defendendo valores compatíveis com a realidade dos hospitais;
- Fortalecer e expandir os centros e as redes regionais de referência em traumatologia, ortopedia, hemodiálise e outras especialidades, priorizando as regiões desassistidas;
- Replicar modelos hospitalares de alta eficiência, com protocolos clínicos, gestão profissional, compras planejadas e acompanhamento de resultados;
- Desenvolver e fortalecer um hub estadual de saúde, inovação e tecnologia, articulando universidades, hospitais, startups, indústria e centros de pesquisa;
- Priorizar projetos de biotecnologia, telemedicina, dispositivos médicos, inteligência artificial aplicada à saúde e soluções voltadas ao envelhecimento populacional;
- Fortalecer a atenção primária, a prevenção, a vacinação, a saúde mental e o cuidado continuado das doenças crônicas;
- Ampliar a rede de atendimento em saúde mental e dependência química, articulando CAPS, hospitais, atenção básica e assistência social;
- Criar consórcios intermunicipais de compras de medicamentos, equipamentos e insumos, aumentando a escala e reduzindo custos.
*Com supervisão de Thiago Padilha
