Há dez dias das Eleições 2026, nem todos os candidatos a deputado estadual pelo Estado gaúcho receberam apoio financeiro de seus partidos para suas campanhas eleitorais. É o que ocorre com representantes do Novo: sete postulantes à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (AL-RS) não obtiveram quaisquer recursos do partido – Fundo Eleitoral, Fundo Partidário ou doações de candidatos e do Novo por fora dos fundos –, de acordo com a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Considerando somente aqueles aptos pelo partido a concorrer por uma cadeira na AL-RS – que oferece 55 vagas –, a quantidade de postulantes sem repasse partidário representa 18,4% dos candidatos do Novo, ou seja, sete dos 38. Seis desses sete candidatos figuram entre os vinte postulantes a deputado estadual pelo Estado que menos obtiveram recursos para suas campanhas eleitorais: Carla Duwe, Éber Langoni, Efreu Quintana, Elicezio Brum de Almeida, Émerson Cardoso e Iuri Cabeleira.
Com exceção de Mateus Dalri, candidato que também não obteve repasse do Novo, mas arrecadou R$ 71.500 para sua campanha – entre o uso de recursos próprios e doações de pessoas físicas –, os demais candidatos captaram valores muito inferiores, segundo constam na prestação de contas TSE: quantias entre R$ 150 e R$ 5.000 por candidato que, somadas, resultam em R$ 8.831.
O presidente do Novo no Rio Grande do Sul, Marcelo Slaviero, disse ao Correio do Povo que nenhum candidato a deputado estadual recebeu fundo partidário, tendo em vista que o partido tem direcionado seus recursos aos candidatos a deputado federal. De acordo com ele, os registros no TSE que constam como captação de Fundo Eleitoral e Fundo Partidário por outros candidatos a deputado estadual do Novo são, na verdade, repasses de deputados federais.
Marcelo Slaviero disse, ainda, que todos os candidatos a deputado estadual do Novo receberam recursos do partido para a produção de materiais de campanha e que a discriminação dos valores deverá ser registrada na prestação de contas até a próxima quarta-feira (30).
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Ao todo, a nominata do Novo neste ano é composta por 40 candidatos a deputado estadual – embora dois tenham renunciado a suas candidaturas. O tamanho da nominata equivale exatamente ao dobro de 2022, quando Felipe Camozzato foi o único representante do partido eleito.
Em 2018, a primeira eleição nacional da qual o Novo participou, dois dos 23 candidatos pelo partido foram eleitos no Rio Grande do Sul: Fábio Ostermann e Giuseppe Riesgo.
O que mais você precisa saber
Segundo o presidente do Novo/RS, todo o valor do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário está sendo direcionado aos 30 candidatos do partido a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, que disputam as 31 vagas reservadas para o Estado gaúcho na Câmara dos Deputados. Na prestação de contas do TSE, todos eles receberam algum tipo de financiamento público.
A diferença de tratamento na distribuição de recursos se justifica, em partes, pela necessidade do partido evitar a cláusula de barreira, regra que orienta quem tem direito ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita na televisão e no rádio. Para não sofrer as sanções da cláusula e, consequentemente, perder força política estadual e nacionalmente, um partido ou federação deve eleger pelo menos 13 deputados federais em nove Estados ou, então, obter 2,5% dos votos válidos nacionais para o cargo – distribuídos em pelo menos nove Estados e com um mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada um deles.
Caso o Novo repita em 2026 o desempenho de 2022, quando elegeu três deputados federais em três Estados – dentre eles, o atual candidato a senador pelo RS Marcel Van Hattem –, o partido não atenderá, pelo critério de formação da bancada, os requisitos suficientes para ter acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita na televisão e no rádio. Uma vez que isso aconteça, o partido poderá ter maior dificuldade em financiar atividades partidárias, dar visibilidade a candidatos e firmar alianças com outros partidos e federações.
Apesar disso, o presidente do Novo/RS acredita que o Estado ajudará o partido a quebrar a cláusula de barreira. Marcelo Slaviero projeta uma média de 320 mil a 350 mil votos em candidatos a deputado federal pelo partido no Rio Grande do Sul, cenário positivo para obter dois representantes na Câmara dos Deputados.
Pelo menos outros 11 partidos também precisam mobilizar grandes esforços para evitar a cláusula de barreira: Agir, Avante, DC, Democrata, Mobiliza, PCB, PCO, PRTB, PSTU e UP.
*Sob supervisão de Mauren Xavier
