Eleições

TSE suspende canal “Exército do Lula” a pedido de Flávio; Janones fala em censura

Ação do PL cita conteúdos “desinformativos e ofensivos”, e Nunes Marques aponta repetição de informações já julgadas inverídicas

Apontado como criador do grupo, Janones diz que canal de WhatsApp com 3,3 milhões de pessoas servia para mobilizar eleitores no segundo turno
Apontado como criador do grupo, Janones diz que canal de WhatsApp com 3,3 milhões de pessoas servia para mobilizar eleitores no segundo turno Foto : Alejandro Zambrana / Secom / TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp para postagens de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. O canal reúne cerca de 3,3 milhões de pessoas.

A decisão atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), apontado pela campanha do PL como criador do canal, reagiu em vídeo nas redes sociais: “A censura já começou”.

No pedido, a campanha de Flávio alega que Janones coordenou a disseminação de conteúdos desinformativos e ofensivos contra o candidato do PL, com conhecimento e benefício de Lula. Entre os temas citados estão o cancelamento do Bolsa Família e a redução de aposentadorias. Segundo a ação, o canal distribuía “missões” de compartilhamento de publicações e teria usado recursos públicos de campanha para impulsionar propaganda negativa.

No entendimento de Nunes Marques, o canal replica conteúdos que o tribunal já considerou inverídicos, como os de que Flávio seria favorável à retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida e de que reduziria aposentadorias se eleito.

“Quando essa mesma potência é posta a serviço da replicação de fatos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, o dano ao equilíbrio do pleito é imediato e de difícil reversão”, escreveu o ministro.

O presidente do TSE também defendeu a “paridade de armas” entre os candidatos. “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito.”

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Competência

Kassio ressaltou ainda que sua decisão foi tomada em função da proximidade do segundo turno das eleições.

“O perigo na demora também está presente. O segundo turno das eleições realizar-se-á em 25 de outubro de 2026, e cada hora de funcionamento do canal amplia a exposição do eleitorado, com repercussão imediata e de difícil reversão”, justificou.

A legalidade do canal já estava em discussão no TSE. Além da suspensão, a campanha de Flávio pede a cassação do mandato de Janones. No sábado (10), o relator do processo, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu que Flávio apresentasse informações complementares.

Deputado nega

Reeleito com cerca de 79 mil votos, Janones nega as acusações. Segundo ele, o canal foi criado para mobilizar e orientar eleitores durante o segundo turno. Em live no Instagram na noite de sábado, afirmou que o grupo ainda estava na fase de inclusão de perfis e de explicação sobre o funcionamento, sem nenhuma notícia publicada.

“Eu não divulguei uma notícia lá. Vocês, esses [então] 3,2 milhões de soldados do presidente Lula que estão lá, não me deixam mentir. Vocês sabem que não foi divulgado nada ainda”, disse. “A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar.”

Para o deputado, a ação do PL é motivada por “medo”. “Eles pedem que eu seja proibido de criar outros canais. Sabe o nome disso? Medo. Eles estão com medo.”

No vídeo deste domingo, Janones afirmou que a decisão não o impede de seguir com a mobilização no Instagram. “Nós não vamos nos calar, vamos continuar.”

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