Política

Moraes pede a Fachin investigação de Mendonça no inquérito das fake news

Ministro do STF aponta indícios de quebra de imparcialidade judicial e favorecimento de determinados grupos políticos

Moraes também acusou Mendonça de interferir na direção das investigações das autoridades policiais
Moraes também acusou Mendonça de interferir na direção das investigações das autoridades policiais Foto : Luiz Silveira/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um despacho com "indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade" pelo ministro André Mendonça na condução dos inquéritos sobre o Banco Master e fraude no INSS.

A petição tem 20 páginas e cita o artigo 102 da Constituição Federal, o artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional e o artigo 5º do regimento interno do Supremo para pedir providências contra Mendonça, segundo o Blog do Fausto Macedo, do Estadão.

Na decisão proferida no inquérito das fake news, Moraes apontou quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos, incluindo o direcionamento das investigações para o próprio Moraes e para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), "por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal".

Conforme a Folha de S.Paulo, o despacho aponta "indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial", com direcionamento temático de intensidade progressiva na linha investigativa.

A acusação se apoia em um relatório de inteligência da Polícia Federal. De acordo com o Estadão, o documento registra que Mendonça "denota interesse no início de investigação formal" contra Moraes e "solicitou mais de uma vez que a equipe de investigação encaminhasse alguma provocação a ele nesse sentido".

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O despacho vem dois dias depois de Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, conteúdo revelado pelo Estadão. Na mesma decisão, o relator do caso Master sinalizou que levaria ao plenário a possibilidade de investigar o colega, segundo a Folha de S.Paulo.

Aberto em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, o inquérito das fake news segue sem previsão de conclusão. Moraes é o relator e reúne nos autos o que considera “ameaças” a ministros e à democracia.

Moraes também acusou Mendonça de “usurpação na direção das investigações das autoridades policiais” e conduzir irregularmente as tratativas de eventual colaboração premiada. O Estadão informa que o despacho atribui ao colega a “determinação de medidas administrativas que afastaram a observância da cadeia de custódia” e prejudicaram a produção probatória.

A decisão foi encaminhada a Fachin para que ele tome as "providências que entender necessárias".