Política

OAB-RS lança manifesto com entidades e ex-governadores por julgamento público e transparente no STF

Texto também propõe um amplo debate sobre reformas estruturais na Corte, incluindo a adoção de mandatos para ministros

Julgamento no próximo dia 15 na Corte gera reações
Julgamento no próximo dia 15 na Corte gera reações Foto : Andressa Anholete/STF/CP

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB-RS) lançou, com entidades representativas da sociedade civil gaúcha, um manifesto em defesa de um julgamento público e transparente no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para a próxima terça-feira (15). O documento foi elaborado em meio ao agravamento da crise institucional envolvendo a Corte e às recentes revelações relacionadas às investigações sobre o Banco Master. O manifesto será encaminhado na segunda-feira (14), por meio de ofício, ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Entre os pontos defendidos pelas entidades estão a “realização de um julgamento aberto e transparente, a instauração de uma investigação regular e independente para apurar os fatos, a não participação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no julgamento, além da retomada da institucionalidade do Supremo”. O texto também propõe um amplo debate sobre reformas estruturais na Corte, incluindo a adoção de mandatos para ministros, mudanças no modelo de indicação dos integrantes e a criação de um Código de Ética e de Conduta.

O manifesto é assinado por entidades de diferentes setores profissionais, empresariais e da sociedade civil, além dos ex-governadores do Rio Grande do Sul Germano Rigotto, Jair Soares, José Ivo Sartori, Pedro Simon e Yeda Crusius. Também subscreve o documento Claudio Lamachia, ex-presidente e membro honorário vitalício do Conselho Federal da OAB e da OAB-RS. Entre as reivindicações está ainda o encerramento do Inquérito nº 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News.

“O julgamento marcado para a próxima terça-feira pode ser um momento histórico para o STF retomar a institucionalidade, sempre com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, como a OAB-RS prega de forma contundente. Mas, para isso, na nossa visão, alguns passos precisam ser seguidos, e é isso que requeremos neste manifesto, ao lado de outras importantes entidades da sociedade civil”, afirma o presidente da entidade, Leonardo Lamachia.

Íntegra do manifesto

A sociedade civil gaúcha, por meio das entidades subscritoras deste MANIFESTO, diante do julgamento a ser realizado pelo Supremo Tribunal Federal na próxima terça-feira, dia 15 de setembro do corrente ano, vem a público manifestar-se e requerer:

1. JULGAMENTO PÚBLICO E TRANSPARENTE

Que o julgamento seja aberto, público e transparente, assegurando-se à sociedade amplo conhecimento dos fatos, dos fundamentos, das decisões adotadas e das posições dos ministros;

2. APURAÇÃO DOS FATOS COM ABERTURA DE INVESTIGAÇÃO

Que seja instaurada investigação regular e independente para a apuração dos graves fatos revelados publicamente, com a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, para que sejam integralmente esclarecidos e, se constatadas irregularidades, sejam adotadas as providências previstas na Constituição e nas leis;

3. NÃO PARTICIPAÇÃO DO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não participe do referido julgamento, diante das circunstâncias que colocam em dúvida a necessária isenção para sua atuação, especialmente em razão das referências ao seu nome constantes do relatório da Polícia Federal relacionado aos fatos em apuração;

4. RETOMADA DA INSTITUCIONALIDADE

Que o Supremo Tribunal Federal retome, de forma inequívoca, a institucionalidade, exerça autocontenção e observe a liturgia própria da mais alta Corte do País, obedecendo rigorosamente aos limites estabelecidos pela Constituição da República e contribuindo para a pacificação social;

5. REFORMA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Que o País promova, com prudência, equilíbrio e a necessária celeridade, amplo debate sobre reformas estruturais do Supremo Tribunal Federal, especialmente quanto à instituição de mandatos para seus ministros, ao aperfeiçoamento do modelo de indicação de seus integrantes e à criação de um Código de Ética e de Conduta aplicável à Corte;

6. ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO Nº 4.781

Que seja imediatamente encerrado o Inquérito nº 4.781, conhecido como “Inquérito das Fake News”.

A presente manifestação não pretende substituir as instituições nem antecipar juízos de responsabilidade. Pretende, ao contrário, exigir que as instituições funcionem dentro dos limites da Constituição e que ninguém esteja acima da lei.

Este é o MANIFESTO das entidades subscritoras, que representam significativa parcela da sociedade civil do Estado do Rio Grande do Sul e que, neste momento de grave crise institucional, defendem a transparência, a responsabilidade, o equilíbrio entre os Poderes e, acima de tudo, o respeito à Constituição da República.

Rio Grande do Sul, 12 de setembro de 2026.

TAMBÉM ASSINAM O MANIFESTO:

Os ex-governadores do RS:

Germano Rigotto
Jair Soares
José Ivo Sartori
Pedro Simon
Yeda Crusius

O ex-presidente e membro honorário vitalício do CFOAB e da OAB-RS:

Claudio Lamachia