O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Rogério Schietti, rejeitou pedido de habeas corpus para soltar o ex-vereador e ex-presidente da Câmara de São Paulo, Milton Leite (União). Ele está preso desde a sexta-feira, 18, após ficar foragido da Operação Vectura Corrupta por suspeitas de atuar como sócio oculto de empresas do setor de transportes controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
O pedido de habeas corpus foi apresentado pelos advogados Wilton Luis da Silva Gomes, Beatriz Alaia Colin e Henrique Sobreira Barbugiani Attuch. Eles alegam que “o próprio órgão acusador confessou em tal ação que a medida jurídica nela intentada não encontrava suporte em absolutamente nada no ordenamento jurídico pátrio”. O ex-vereador afirma que vai provar sua inocência em todas as acusações.
Schietti também afirmou que a prisão foi decretada com base em “elementos concretos” e considerou necessária para o avanço das investigações sobre a suspeita de infiltração de uma organização criminosa no transporte público. De acordo com o ministro, existem indícios de autoria e participação de Milton Leite. Ele é apontado na investigação como gestor direto de empresas controladas pelo PCC e como proprietário de fato da Transwolff. "Concluo, a um primeiro olhar, que a motivação exarada na origem, com base na imprescindibilidade da custódia temporária para a colheita de provas e na gravidade concreta das condutas apuradas, está em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior", afirma Schietti.
A decisão que autorizou a Operação Vectura Corrupta, da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirma que o ex-vereador foi citado como responsável direto pela operação de algumas empresas investigadas. O desembargador Sérgio Ribas também mencionou declarações de policiais militares que apontariam Milton Leite como proprietário de fato da Transwolff.
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Investigação sobre empresas de transporte
Em julho de 2024, investigadores identificaram uma conversa entre Cícero José dos Santos Filho, advogado ligado ao PCC, e José Daniel Satilite, apontado como “laranja” e proprietário da Viação Translíder Transportes Rodoviários e Logística.
Segundo a investigação, Daniel mencionou uma negociação envolvendo a UPBus, empresa de ônibus da zona leste de São Paulo que tinha entre seus acionistas integrantes apontados como membros da cúpula do PCC. Na conversa, ele afirmou que seria necessário envolver Milton Leite para solucionar a situação.
O nome do ex-vereador já havia aparecido no contexto da Operação Fim da Linha, quando os investigadores o apontaram como proprietário de fato da Transwolf
Passagem secreta, invasão a escritório e R$ 765 mil apreendidos
A Polícia Civil e o Ministério Público encontraram uma passagem secreta e R$ 765 mil em espécie na casa de Milton Leite em Sorocaba, no interior de São Paulo. Os investigadores apuram a possibilidade de ter ocorrido um vazamento da operação. Na noite de domingo, 20, o escritório do ex-vereador em Santo Amaro, na zona Sul da capital, foi invadido por criminosos. Apesar de encontrarem R$ 19.261 em dinheiro no endereço, os suspeitos não levaram a quantia.
O equipamento DVR que armazenava as imagens das câmeras de segurança foi levado pelos suspeitos. A invasão foi percebida por uma vizinha, que acionou a PM. Quando chegaram ao imóvel, os policiais encontraram o portão aberto e sinais de que o local havia sido revirado. Sobre um sofá, havia malotes com dinheiro, além de documentos pessoais e celulares.
A quantia em espécie permaneceu no imóvel e não foi levada. A área foi isolada para a realização de perícia e exames de papiloscopia. Após os trabalhos da Polícia Científica, o dinheiro e os demais objetos encontrados foram apreendidos e encaminhados ao 11.º Distrito Policial (Santo Amaro), responsável pelo registro da ocorrência.