Política

Supermercados e clubes brasileiros se dividem sobre proibição de apostas online

Presidente Lula proibiu as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil a partir de 5 de outubro

Fux comandou sessão de debates sobre a proibição
Fux comandou sessão de debates sobre a proibição Foto : Rosinei Coutinho / STF / Divulgação CP

Enquanto clubes de futebol relatam perdas milionárias com o fim dos patrocínios de casas de apostas, setor supermercadista aponta crescimento de 6,5% no consumo de alimentos na primeira semana após a medida. Os supermercados brasileiros registraram aumento nas vendas após a proibição das apostas online, em contraste com a queda expressiva nas receitas publicitárias dos clubes de futebol. As informações foram apresentadas nesta terça-feira (3) por representantes dos dois setores durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil a partir de 5 de outubro, em plena campanha pela reeleição, conquistada no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o governo argumentou que as plataformas estavam provocando o endividamento excessivo da população.

Agora, o STF analisa diversas ações movidas por empresários do setor de apostas que buscam derrubar a decisão presidencial. Os principais clubes do futebol brasileiro, a maioria deles com acordos de patrocínio com casas de apostas, manifestaram apoio às demandas do setor durante a audiência.

O Flamengo estima que a proibição represente uma perda de aproximadamente R$ 430 milhões anuais em receitas, afirmou o vice-presidente do clube, Flávio de Araújo Willeman. Outros grandes clubes, como Corinthians, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense, Grêmio e São Paulo, também relataram impactos negativos em suas finanças.

Na outra ponta, o setor supermercadista comemorou o aumento do consumo e atribuiu o resultado à proibição das apostas. Em comparação com 2025, foi identificado um crescimento real de 6,5% no consumo de alimentos na primeira semana após a medida, segundo João Galassi, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

Os recursos que antes eram destinados às casas de apostas "já estão retornando para a alimentação, o pagamento de dívidas e as necessidades das famílias", afirmou Galassi.

Representantes dos clubes ressaltaram que outros países que restringiram a publicidade de apostas, como Bélgica, Itália e Espanha, concederam às equipes períodos de vários meses para adaptação. No Brasil, porém, o prazo para a transição foi de apenas dez dias.

O Congresso Nacional também analisa a proibição e deverá votar a questão antes do final de janeiro, podendo derrubar a decisão de Lula ou ratificá-la em caráter permanente.