A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) tem expectativas diferentes para dois dos ambientes da Expodireto Cotrijal. Uma muito positiva e esperançosa para o espaço em que a entidade tem participação direta, o Pavilhão da Agricultura Familiar, e outra mais cautelosa para os negócios a serem realizados no parque de máquinas e implementos, pois o momento econômico dos agricultores é considerado complicado. As projeções são do novo presidente da entidade, Eugênio Zanetti, que assumiu neste mês o posto que era de Joel Carlos da Silva.
O dirigente considera o pavilhão como uma preciosa oportunidade para que os pequenos produtores consigam incrementar os ganhos com os produtos gerados nas propriedades.
“Esses espaços diretos possibilitam encurtar as cadeias, vender direto para o consumidor, evitando os atravessadores, que daí ele consegue agregar renda e valor aos seus produtos”, descreve.
Quanto a aquisição de novas tecnologias, sobretudo máquinas e equipamentos, Zanetti entende que os familiares serão mais prudentes em razão do endividamento do campo causado pelas agruras climáticas.
“O produtor hoje está muito mais preocupado em como é que vai pagar as suas contas do que em fazer novos investimentos. E tem que ser assim, no momento em que a gente está. Todo o investimento precisa ser muito bem calculado para evitar contratempos ali na frente.”
Buscar soluções para a situação complicada vivenciada pelos pequenos agricultores e pecuaristas é uma das bandeiras mais prementes do novo presidente da entidade. A Fetag-RS está alicerçada em um quadro social com 315 sindicatos de trabalhadores rurais filiados que se estendem para cerca de 450 municípios em 23 regionais sindicais envolvendo aproximadamente 200 mil associados.
“Num primeiro momento, precisamos atacar as pautas emergenciais que já vínhamos tratando, que é a questão do endividamento e a baixa dos preços agrícolas, que estão gerando uma crise muito grande, principalmente no leite, no arroz e no trigo”, menciona Zanetti.
Outra causa importante da gestão e que deve ser um dos assuntos tratados na programação da Expodireto é a contestação da cobrança da multa de 7,5% de royalties de biotecnologia da soja, que incide na chamada “moega” (na entrega do grão) pela Conexão Biotec, formada por empresas que produzem sementes com tecnologia transgênica. Inclusive a entidade vai protocolar a quarta ação no Judiciário. A Fetag-RS vem orientando os agricultores a fazerem os pagamentos como depósitos judiciais.
“Consideramos que são cobranças abusivas e a gente precisa evoluir nesse quesito”, sintetiza.
Zanetti ainda enfatiza que, além das “pautas emergenciais”, planeja trabalhar uma visão da agricultura familiar a partir da importância que ela tem e da sua eficiência. Segundo ele, na agropecuária gaúcha, os familiares representam 40% do Produto Interno Bruto (PIB), mas ocupam apenas 20% da área de terra. Ou seja, a eficiência é bem superior.
“E ter essa visão da importância da agricultura familiar, não só economicamente, mas também a questão social para o desenvolvimento das comunidades. E também trabalhar cada vez mais, sermos propositivos e criativos para o governo. Precisamos evoluir em uma política de mitigação de risco. Não dá para o risco ficar todo nas costas do agricultor”, considera.