Se os animais são a alma da Expointer, os filhotes renovam a esperança de vida no campo. Na Expointer, a ternura e a fragilidade dos bebês fascinam visitantes que andam pelos pavilhões de gado de corte e ovinos. Um dos xodós é um cordeiro com quatro dias de vida, que veio ao mundo quando sua mãe era preparada para embarcar no caminhão que a levaria de Viamão ao Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. “A gente estava preparado para viajar na quarta-feira de manhã cedo e me deparei com esse rapazinho entrando em cena, querendo nascer”, conta Enedino Montezano Ramos, da Cabanha Janda & Fazenda Posto Velho.
Ramos atrasou um pouco a viagem até finalizar o parto. “Ele nasceu praticamente no caminhão e foi mamar quando chegou aqui no parque. A mãe dele é uma borrega, a Janda 552, que está fazendo um ano de idade no dia 25 e agora já com um filhotinho no costado”, detalhou. O filhote é o primeiro de Janda 552 e tem uma origem inusitada.
“Foi uma ‘cria roubada’ como se diz. Ela entrou onde estava o carneiro, e o carneiro cobriu ela. Acontece essas coisas. Animal é animal, a gente cuida, mas acontece”, explica Ramos.
O criador diz que o bebê nasceu miudinho, com 2,5kg, porque a mãe é muito nova e teria dado à luz precocemente. O bichinho só conseguiu ficar em pé na sexta-feira.
A ternura da bebê encantou as estudantes de medicina veterinária Karla de Lima, 20 anos, e Manuela de Oliveira, 18 anos. Ambas saíram de Florianópolis (SC) na noite de sexta-feira com outros estudantes e retornam ainda neste sábado ao estado catarinense. “Viemos para conhecer a feira e aprender sobre as várias raças”, disse Karla.
No mesmo pavilhão, uma bezerra charolês que completa oito dias de vida no primeiro dia da Expointer também atrai os olhares dos transeuntes que passam pela baia do criatório Quinta dos Ganchos, de Governador Celso Ramos, no litoral de Santa Catarina. “A terneira nasceu no dia 15 de agosto e viemos no dia 20 para Esteio. Pensei em não trazer, por causa da distância, são 500 quilômetros. Ela chegou bem, mas pegou uma pneumonia aqui, porque faz quatro estações em um dia”, conta o criador Marcelo Alexandre, que participa da Expointer pela terceira vez. A terneira foi tratada e passa bem. A mãe, TE30, completará três anos de idade em setembro e teve a primeira gestação. ”Ela foi a terceira melhor fêmea no nacional de Lages, ganhou prêmio aqui e é doadora de embriões. Depois de doar, tive que emprenhá-la”, detalha Alexandre, que vai colocar animais em concursos e vender embriões.
“O charolês é uma das raças que mais evoluíram nos últimos anos. Saímos de porte grande para porte médio, marmoreio e precocidade sexual e de ganho de peso”, conta.
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