A área destinada ao plantio de arroz no Rio Grande do Sul deverá ter um incremento de 5,3% na safra 2024/25 em relação ao ciclo anterior. Em contrapartida, a cultura da soja sofrerá uma redução de 4,3% na extensão da lavoura, na mesma comparação temporal. Os dados, que confirmam previsões de especialistas, foram divulgados nesta segunda-feira, 26, em evento promovido pelo Instituto Rio Grandense do Arroz na 47ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
De acordo com os números anunciados pela diretora técnica do Instituto, Flávia Miyuki Tomita, a intenção é dedicar 948.356 hectares para a orizicultura gaúcha em 2024/25. Em 2023/24, a extensão total atingiu 900.203 hectares. Flávia também divulgou os números finais da safra atual, que somou 7.198.527 toneladas de arroz, com uma produtividade de 8.387 kg/ha. A área perdida em razão das chuvas e enchentes ocorridas no outono chegou a 46.991 hectares, representando 5,2% das terras cultivadas com o cereal.
Lavoura menor
Para a soja, a previsão é de que o plantio atinja 403.941 hectares em 2024/25, contra 422.210 hectares em 2023/24. A redução na lavoura da oleaginosa e aumento na de arroz, no Rio Grande do Sul, era prevista por especialistas desde o final de julho, em razão da pressão sobre os preços decorrente das boas perspectivas de colheita nos Estados Unidos, na Argentina e até mesmo em outros Estados no Brasil. No sentido oposto, as possibilidades de ganhos com o arroz tornaram-se mais atraentes para o produtor.
O secretário de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Clair Kuhn, aproveitou o encontro para reforçar as reivindicações de produtores gaúchos junto ao governo federal, contemplando a renegociação de dívidas acumuladas nos últimos anos.
“A expectativa [de plantio] é essa, mas temos de ter recursos suficientes. Sem capital financeiro não se faz nada. Esse capital é uma questão ainda não resolvida”, disse Clair Kuhn, salientando a esperança de obter alguma resposta do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, em provável visita à feira no decorrer da semana.
Kuhn especificou a demanda do setor primário do RS, de renegociação da dívida em um prazo de “dez a 15 anos”, com dois anos de carência e “juro compatível com a capacidade de pagamento”.
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