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Milk Summit Mercosul movimentará Ijuí entre os dias 14 e 15 de outubro

55,3 mil famílias abandonaram a produção leiteira no Estado em 10 anos

O diretor-presidente do Correio do Povo, Marcelo Dantas, recebeu o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini
O diretor-presidente do Correio do Povo, Marcelo Dantas, recebeu o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini Foto : Fabiano do Amaral

Após o sucesso de sua primeira edição, o Milk Summit evolui e passa a ser Milk Summit Mercosul, ampliando seu alcance e relevância. “A edição de 2026 vai consolidar o evento como o principal ambiente de conhecimento, integração e networking da cadeia do leite na América do Sul, reunindo lideranças do Brasil e de países vizinhos”, afirmou nesta quarta-feira o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul, (Sindilat), Darlan Palharini, em visita à Casa do Correio do Povo na Expointer.

Com programação nos dias 14 e 15 de outubro, o evento será realizado em ijuí, com mais de 16 horas de conteúdo técnico e estratégico, com palestras de alto impacto. Entre os nomes esperados estão representantes das principais indústrias de laticínios, além de especialistas como Paulo Martins e Glauco Carvalho (Embrapa), Marianne Tufani (StoneX), Valter Galan (MilkPoint), Marcos Veiga (Qualileite/USP) e participação internacional de Andrés Padilla (Rabobank).

“A expectativa é reunir mais de 700 participantes presenciais por dia, incluindo cerca de 400 produtores de leite, além de representantes de indústrias, cooperativas, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes do Mercosul, promovendo troca de experiências e construção de estratégias para o setor”, observou Palhari, que foi recebido pelo diretor-presidente do Correio do Povo, Marcelo Dantas.

Atividade leiteira

Palharini especialmente se mostrou preocupado com o resultado de estudo apresentado pela Emater-RS/Ascar, na Expointer 2026, em Esteio, na terça-feira. Isto porque, em 10 anos, o número de produtores de leite reduziu 65% no Rio Grande do Sul. Em 2015, eram aproximadamente 84,2 mil e, em 2025, cerca de 28,9 mil em 2025.

“Na prática, 55,3 mil famílias abandonaram a produção leiteira, mas não afetou a produção. A decisão envolve uma questão social e acompanha um movimento mundial”, comparou, acrescentando que a Argentina tinha 30 mil produtores de leite há 20 anos e hoje restam 9,5 mil.

Para estancar o abandono, Palharini defende a necessidade do setor avançar em nível de competitividade, por meio da criação de fundos setoriais, além de políticas governamentais. “O Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, mas não possui políticas de proteção para produtores e indústrias”, frisou.

Lembrou que, recentemente, uma indústria brasileira foi impedida de exportar whey protein (suplemento alimentar em pó feito a partir da proteína extraída do soro do leite) para a Austrália e outro de enviar queijo para a Rússia em razão da inexistência, no país, de tratados bilaterais e normas de defesa agropecuária que regulam a produção, a circulação e a exportação de leite e derivados.

"Esses acordos garantem que os produtos brasileiros atendam aos critérios de segurança alimentar, livre de doenças e contaminantes”, enfatizou.

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