Expointer

Na Expointer, primeiro concurso de hidromel valoriza o mel de abelhas sem ferrão

Iniciativa deu destaque à meliponicultura e avaliou amostras de diferentes estados

Seis jurados analisaram cada amostra, feita às cegas
Seis jurados analisaram cada amostra, feita às cegas Foto : Alina Souza

São bem conhecidos os concursos de avaliação de bebidas, como o vinho, a cerveja artesanal e os destilados. Mas e o de uma bebida fermentada a partir do mel? Na 49ª Expointer, está ocorrendo, pela primeira vez, o concurso do hidromel. Apesar de não ser popular no Brasil, ela é considerada a bebida alcoólica mais antiga do mundo.

O chamado Prêmio Mead ocorreu nesta quinta-feira na Casa da AGPTEA, e é uma iniciativa da Federação das Associações de Meliponicultores do Estado do Rio Grande do Sul (Femers) e da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac). A Associação Sul-Brasileira de Produtores de Hidromel (ASH) é responsável pela organização, pelos julgamentos e pelo comitê técnico.

Cada categoria é avaliada de acordo com as características específicas | Foto: Alina Souza

O principal ingrediente da bebida é o mel. No Brasil, o mais comum é o de abelhas com ferrão. Porém, há o grupo exótico das abelhas sem ferrão, as melíponas, que são nativas, e que o concurso pioneiro buscou dar destaque. O grande vencedor do hidromel de abelhas sem ferrão foi o produtor Anderson Bonfada, de Santa Rosa.

Como está na sua primeira edição, o objetivo do concurso é ser o mais abrangente possível. Portanto, está sendo realizado com as seguintes categorias: hidroméis especiais, mel de abelhas com ferrão, uma especial para o mel de abelha sem ferrão e uma mistura desses dois tipos de mel. No entanto, cada categoria é avaliada de acordo com as suas características. "A amostra enviada ao participante não está competindo com outro participante, ele está competindo consigo mesmo", destacou Felipe Nogueira, presidente da ASH e que também está sendo jurado.

São avaliados aspectos como aparência, aroma, sabor, sensação na boca e a impressão geral | Foto: Alina Souza

Como são feitas as avaliações

São seis jurados para analisar cada amostra. As avaliações são feitas às cegas, sem acesso à informação de onde é a amostra. Porém, o jurado espera que a avaliação esteja de acordo com o que o produtor identificou no rótulo. "Se não atende essa expectativa, de acordo a descrição dele mesmo, acaba tendo alguma penalidade”, pontuou Felipe.

Cada análise de amostra leva em torno de 20 a 30 minutos, e os jurados conversam entre si sobre as avaliações do produto. São avaliados aspectos como aparência, aroma, sabor, sensação na boca e a impressão geral da bebida.

Concurso de Hidromel | Foto: Alina Souza

Felipe destaca que o papel do jurado não é encontrar defeitos, mas sim, dizer como que ela pode ser melhor e o que poderia ser feito no processo para ser corrigido. "Não é só uma questão de promover a competitividade, mas também, de fazer o produtor receber uma avaliação técnica." A grande surpresa da edição foi haver inscrições não apenas de produtores do Estado, mas de outros.

O presidente da Femers, Nelson Angnes, ressaltou que a ideia é que o evento aconteça anualmente na Expointer. “Para nós, foi um abraço muito grande eles estarem fazendo esse trabalho maravilhoso. A tendência é fazer o concurso de hidromel todos os anos, e também a partir do ano que vem, vamos fazer o concurso internacional dos méis das abelhas sem ferrão.”

Os ganhadores do concurso foram de Sapucaia do Sul, Caraá e Santa Rosa. Os premiados serão agraciados nesta sexta-feira, no pavilhão da Febrac, com a presença do secretário estadual de Agricultura, às 16h.

Veja os ganhadores de todas as categorias:

  • Hidroméis especiais: Régis Adriano Scharlau, de Sapucaia do Sul
  • Hidromel tradicional - abelhas com ferrão: Régis Adriano Scharlau, de Sapucaia do Sul
  • Mistura: Vinicius Deloel Monteiro Gomes, de Caraá
  • Hidromel de abelhas sem ferrão: Anderson Bonfada, de Santa Rosa