O Centro de Obstetrícia do Hospital Montenegro, em Montenegro, no Vale do Caí, que estava com os serviços suspensos desde fevereiro deste ano, foi reaberto na noite da última sexta-feira. A retomada do atendimento é resultado de uma mobilização liderada pelo prefeito Gustavo Zanatta, com o apoio de alguns gestores de municípios do Vale do Caí.
O acordo, segundo Zanatta, tem duração inicial de três meses, período em que as Prefeituras passarão a contribuir mensalmente para garantir a manutenção do serviço às gestantes. Enquanto isso, haverá nova mobilização junto ao governo do Estado para que volte a assegurar o custeio do setor.
Durante o período de suspensão, as gestantes da região receberam atendimento nas cidades de Canoas e Sapucaia do Sul, conforme encaminhamento realizado pela regulação estadual. A situação exigia, em muitos casos, o deslocamento de grávidas em estágio avançado, o que gerou desconforto, insegurança e riscos à saúde de mães e bebês. A prefeitura de Montenegro chegou a comprar serviços na rede privada para atender as mulheres que já estavam em trabalho de parto e não chegariam a tempo nesses hospitais.
De acordo com o prefeito, a responsabilidade pelo custeio do serviço é do Governo do Estado, mas os repasses atuais seriam insuficientes para assegurar o pleno funcionamento da Obstetrícia. "Mais uma vez, estamos sendo obrigados a destinar recursos do orçamento municipal para evitar que a comunidade fique desassistida", destacou Zanatta.
A Secretaria Municipal da Saúde acompanha atualmente cerca de 260 gestantes em Montenegro. Deste total, ao menos 40 mulheres estão com 32 semanas de gravidez ou mais, podendo entrar em trabalho de parto a qualquer momento. O Hospital possui 140 leitos do SUS, 10 de UTI.
MINISTÉRIO DA SAÚDE LIBERA RECURSOS
No início do mês de abril, uma comitiva do Ministério da Saúde esteve no Hospital Montenegro, realizando uma vistoria para traçar um diagnóstico e posteriormente um plano de ação apontando medidas a fim de enfrentar a crise pela qual passa a instituição de saúde. Naquela data, o governo federal anunciou a liberação de R$ 104 mil mensais à instituição.
CPI NA CÂMARA DE VEREADORES APURA IRREGULARIDADES
Em paralelo às medidas emergenciais adotadas pelos governos para enfrentar a crise junto ao hospital, ocorre na Câmara de Vereadores apurações encabeçadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a destinação dos recursos públicos, os motivos da paralisação de serviços essenciais e a transparência na gestão, especialmente quanto ao pagamento de salários e gratificações. O colegiado tem 120 dias para concluir os trabalhos e até lá segue com coleta de informações, análise documental e novas convocações.