Saúde

Anvisa autoriza dose de 7,2 mg de Wegovy para obesidade resistente

Administração consiste em três injeções consecutivas de 2,4 mg, por via subcutânea

Anvisa acendeu um alerta para o aumento da disestesia (alterações de sensibilidade na pele) com a dose mais alta
Anvisa acendeu um alerta para o aumento da disestesia (alterações de sensibilidade na pele) com a dose mais alta Foto : Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (4), uma atualização significativa na posologia do medicamento Wegovy® (semaglutida). A decisão permite, em caráter excepcional, a utilização de uma dose de manutenção de até 7,2 mg por semana para pacientes adultos que não atingiram a resposta clínica esperada com a dose padrão de 2,4 mg.

Como funciona a nova dosagem

A dose de 7,2 mg não substitui o tratamento atual, mas serve como uma intensificação terapêutica. A administração consiste em três injeções consecutivas de 2,4 mg, por via subcutânea, e só pode ser iniciada após o paciente ter completado, no mínimo, quatro semanas na dose anterior (2,4 mg).

Critérios de indicação e restrições

A agência estabeleceu regras rígidas para a escalada da dose:

  • Público-alvo: Apenas adultos com IMC igual ou maior que 30 kg/m² (obesidade).
  • Restrição: Pacientes com sobrepeso (IMC entre 27 e 30 kg/m²), mesmo com comorbidades, não devem utilizar a dose de 7,2 mg, por falta de dados clínicos específicos para este grupo.
  • Regressão: Se a dose elevada não trouxer benefícios adicionais ou causar efeitos colaterais severos, o tratamento deve retornar obrigatoriamente para os 2,4 mg semanais.
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Evidências e Segurança

A aprovação foi fundamentada nos estudos STEP UP e STEP UP T2D. Os dados mostraram que a dose de 7,2 mg proporciona perda de peso adicional em uma parcela dos pacientes, embora para a maioria o ganho extra seja limitado.

Em termos de segurança, o perfil é semelhante à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, com predominância de efeitos gastrointestinais.

No entanto, a Anvisa acendeu um alerta para o aumento da disestesia (alterações de sensibilidade na pele) com a dose mais alta. A agência reforça que o balanço benefício-risco continua positivo, desde que haja rigoroso acompanhamento médico e monitoramento de farmacovigilância.