Saúde

Após transtornos, prefeitura adiará transição da gestão de postos de saúde da zona Norte de Porto Alegre

Prevista para ocorrer nesta quarta-feira, troca de gestão de 28 unidades foi adiada para 1º de agosto

Secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, em visita ao Correio do Povo
Secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, em visita ao Correio do Povo Foto : Alina Souza

A prefeitura de Porto Alegre, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informou que adiará a transição da gestão das unidades de saúde da zona Norte, prevista inicialmente para ocorrer nesta quarta-feira. A nova data, segundo o secretário Fernando Ritter, ficou definida para o dia 1º de agosto, quando o Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG) assumirá a operação de 28 postos de saúde e uma farmácia distrital na região.

A decisão ocorreu após transtornos registrados na primeira semana de gestão do IAG em 38 unidades da zona Leste. No primeiro dia útil da empresa na operação, foi registrada a falta de mais de 30 médicos dos 101 necessários para o atendimento da população. Também ocorreram faltas de outros profissionais, como enfermeiros, técnicos de enfermagem e equipes de higienização. Apesar disso, Ritter afirmou que a secretaria atuou no remanejamento de profissionais do programa Mais Médicos, evitando que unidades ficassem sem atender pacientes.

Nesta segunda-feira, através de monitoramento e fiscalização, a pasta registrou a falta de 22 médicos. Com a parceirização da operação das unidades, a contratação de equipes, assim como a manutenção das unidades, passa a ser de responsabilidade da nova gestora terceirizada. Os transtornos motivaram a realização de duas reuniões entre prefeitura e IAG no final da última semana. Um dos encontros contou com a participação do prefeito Sebastião Melo.

A decisão por adiar a gestão nas unidades de saúde da zona Norte ocorreu nestas reuniões. Nelas, a prefeitura também ressaltou que pretende penalizar a empresa caso algumas cláusulas previstas em contrato não funcionem. “Todas as inconformidades foram anotadas. Esperamos que eles melhorem. A partir dessa semana, o que não tiver em conformidades será penalizado. Não vamos deixar de cobrar”, afirmou Ritter, em visita ao Correio do Povo.

A percepção da SMS é de que a empresa ainda não estaria totalmente preparada para atender o projeto pelo qual se comprometeu. Em último caso, se a empresa seguir não cumprindo determinados requisitos, há a possibilidade da prefeitura suspender o contrato com o IAG e realizar o chamamento do segundo colocado no processo licitatório.

Veja Também

Nas reuniões, a empresa teria lamentado ainda as movimentações promovidas por sindicatos e entidades da área da saúde, citando como um dos fatores que tem refletido na dificuldade para a contratação de profissionais. Um dos pontos destacados pelas entidades com relação à troca na gestão das unidades é a proposta de redução do valor oferecido pelo IAG para a contratação dos profissionais de saúde. Em algumas áreas, o salário oferecido seria de 30% a 60% menor que o praticando pelas antigas gestoras.

Desistência dos antigos operadores

As antigas gestoras das unidades de saúde das zonas Leste e Norte desistiram de operar por questões financeiras referentes ao contrato com a Prefeitura. Ritter garante que a pasta ofereceu reajustes dentro dos limites possíveis para as antigas operadoras, a rede Divina Providência e a Santa Casa de Misericórdia, que seguirá na operação dos postos da zona Norte até o final de julho. O secretário aponta ainda que, antes da troca, já haviam registros de falta de profissionais em unidades de saúde.

Reclassificação em licitação

Ritter ainda explicou a reclassificação do IAG no processo licitatório que definiu a empresa como nova operadora das unidades. Inicialmente, a prefeitura entendeu que a empresa havia perdido o prazo legal para envio da documentação. Entretanto, após análise da Lei Geral de Licitações, foi constatada que a empresa ainda seguia no prazo quando encaminhou os arquivos.

Além disso, o secretário salientou que não é permitido, por lei, criar uma licitação restritiva apenas para empresas que possuem Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), um selo que concede isenções fiscais para entidades filantrópicas. O IAG, por exemplo, teve o Cebas negado duas vezes pelo Ministério da Saúde, principalmente pela empresa não atuar com média e alta complexidade. O requisito de incluir o certificado na licitação foi levantado pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers).