A Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara Municipal de Porto Alegre abordou a dermatite atópica em reunião realizada nesta terça-feira. A pauta foi proposta pelo vereador José Freitas (Republicanos) e conduzida pelo vereador Hamilton Sossmeier (Podemos). Freitas explicou que se trata de uma doença crônica de pele que pode ter impacto importante na qualidade de vida, especialmente em casos graves, que exigem tratamento mais especializado e complexo.
“Em Porto Alegre, ainda precisamos conhecer mais essa realidade”. Ele enfatizou a necessidade dos acometidos pela doença terem acesso a consultas, tratamento, medicação e políticas públicas. Gladis Lima, presidente da Associação Brasileira de Psoríase, Artrite Psoriásica e de Outras Doenças Crônicas de Pele, destacou que a dermatite atópica afeta sobretudo crianças e que “a família também adoece” em consequência.
“A identificação da doença demora muito, principalmente na porta de entrada do SUS, que é a atenção primária”, disse. Se o diagnóstico não for realizado a tempo, a doença pode evoluir para uma forma grave, ressaltou. “São doenças que estão estampadas no maior órgão do corpo humano, a pele”. Dioneli Medeiros, que tem um filho com dermatite atópica grave, disse que este teve diversos diagnósticos equivocados ao longo de anos, o que “destruiu sua família” do ponto de vista psicológico e financeiro, por conta de tratamentos caros que não surtiam efeito.
Ele passou por uma internação de quase um ano no Hospital de Clínicas e chegou a ter inflamação em 90% do corpo. A situação impactou a infância e a formação escolar de seu filho: “Nossa casa passou a viver em função da doença. Nós vivíamos a dermatite noite e dia”. Ela também relatou preconceito e culpabilização por conta da doença.
O tratamento foi feito, inicialmente, com medicamento obtido por meio de doações: “Infelizmente, tive que expor meu filho na Internet”, afirmou Dioneli. O acesso ao tratamento custeado pelo Estado ocorreu apenas posteriormente. “Peço diagnóstico correto e rápido, profissionais preparados, acesso ao tratamento e escolas acolhedoras. A infância não volta. É por isso que luto tanto pelo meu filho”.
Acesso a medicamentos
A coordenadora de Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cláudia Loss Rech, afirmou que a doença afeta entre 10 e 15% da população. Há quase 25 mil pessoas na Capital com o diagnóstico, sendo metade delas crianças: “A grande maioria é de casos mais leves, e o tratamento é a hidratação da pele”. Ela informou que três crianças e 104 adultos estão na fila de espera para consulta com um dermatologista.
Cláudia explicou que, em 2025, foi aprovado o documento do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica. No entanto, o remédio aprovado ainda não consta na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename): “O impasse está no Ministério da Saúde”. Ressaltou, ainda, que “o diagnóstico de doenças de pele não é tão simples, é difícil de ser fechado. O mesmo sintoma pode ser ocasionado por diferentes enfermidades”.
A coordenadora da Farmácia de Medicamentos Especiais da SMS, Alice Velho, informou que há dois medicamentos que poderiam ser utilizados no tratamento de dermatite atópica. Um deles consta da Rename, mas para o combate de outras doenças, e o outro ainda não está disponível na lista. Conforme informações do Ministério da Saúde, o remédio está em processo de aquisição e ainda não há um prazo para o fornecimento.
Nos encaminhamentos da reunião, ficou decidido o envio de um ofício da Cosmam para o Ministério da Saúde solicitando que a medicação seja disponibilizada o quanto antes para as pessoas acometidas pela doença.