Saúde

Encontro celebra 30 anos do primeiro transplante cardíaco na Santa Casa de Porto Alegre

Desde 1995, ao menos 100 procedimentos já foram realizados no complexo hospitalar

Encontro de transplantados cardíacos da Santa Casa de Porto Alegre
Encontro de transplantados cardíacos da Santa Casa de Porto Alegre Foto : Pedro Piegas

Pacientes cardíacos transplantados viveram um momento de emoção na Santa Casa de Porto Alegre nesta quarta-feira, em um seminário sobre os 30 anos do primeiro procedimento do tipo realizado no hospital. O encontro, promovido no Centro Histórico-Cultural (CHC) do complexo, reuniu também médicos e demais profissionais, que discutiram o passado, presente e futuro dos transplantes de coração.

A abertura foi feita pelo médico Fernando Lucchese, cardiologista, diretor médico dos hospitais São Francisco, Santo Antônio e Nora Teixeira e membro da equipe pioneira de transplantes cardíacos no complexo, além do provedor da Santa Casa, Alfredo Englert. Desde 1995, quando a paciente Roseni Pilar foi submetida à cirurgia pioneira, a Santa Casa de Porto Alegre já contabiliza pelo menos mais de 100 destes procedimentos.

De 2013 para cá, foram 46, e, somente neste ano, até o momento, seis pacientes receberam um novo coração no complexo. Hussein Abou Wadi, 75 anos, natural de Lages, em Santa Catarina, passou pelo transplante no dia do Natal de 2003, depois de um infarto dois anos antes. A cirurgia, que durou 12 horas, teve um desafio adicional, pois o doador não era compatível, mas o procedimento não pôde esperar. Na época, ele também estava com um pulmão comprometido, e, por isso, a cirurgia foi rejeitada em São Paulo.

“Fiquei dois anos na fila, e passaram vários pacientes na minha frente, até chegar minha vez. Graças a Deus, 22 anos depois, nunca foi rejeitado, foi um sucesso. Os médicos falaram que a cirurgia não tinha ocorrido muito bem, e minha chance de viver era de 5%. Todo mundo ficou em desespero. Mas Deus quis que eu ficasse mais um pouco, tinha algo a fazer aqui. Agradeço às equipes da Santa Casa por tudo”, comentou ele.

A cardiologista Joana Junqueira, responsável pelo programa de Transplantes Cardíacos da Santa Casa, disse que o evento foi principalmente uma celebração à vida. “O motivo de estarmos comemorando é que queremos estar cada vez mais inseridos na vida destes pacientes, e a Santa Casa faz parte da história deles”, comentou ela. De acordo com Joana, de 30 anos para cá, houve mudanças neste processo, principalmente no melhor acesso a medicações e tecnologias mais avançadas.

“Também é muito importante que as pessoas conversem sobre doação de órgãos sem tabu, porque sim, isto alavanca e muito a quantidade de doações. Nunca são momentos fáceis quando temos um potencial doador, e quando se fala antes com a família, isto acaba ficando mais facilitado, ajudando a propiciar a vida para outras pessoas”, salientou Joana, lembrando do Setembro Verde, mês de conscientização sobre esta doação.

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