Saúde

Nova Rede Nacional de Serviços Inteligentes integra hospitais e SAMU por meio de IA

Iniciativa prevê monitoramento contínuo em tempo real, integração de dados e ambulâncias conectadas ao SAMU em 13 estados

Congresso CONASEMS Porto Alegre.  Com a fala, Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Congresso CONASEMS Porto Alegre. Com a fala, Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde. Foto : Alina Souza

O uso de inteligência artificial já é realidade em diversas áreas e está cada vez mais no dia a dia da população. Na saúde, a tecnologia está inserida na nova Rede Nacional de Serviços Inteligentes e de Medicina de Alta Precisão do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa prevê a instalação de 14 UTIs inteligentes interligadas em 13 estados com serviços totalmente digitais, monitoramento contínuo e integração entre equipamentos e sistemas de informação. As tecnologias permitirão prever agravamentos no quadro de pacientes, apoiar decisões clínicas, otimizar avaliações e ampliar a troca de conhecimento entre especialistas.

Durante o 39º Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que acontece em Porto Alegre até o dia 15 de julho, o secretário-executivo e ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, apresentou as inovações que o SUS tem trazido para a população.

“Quando a gente fala de inovação, não é só um novo medicamento, uma nova vacina, mas é um jeito diferente de se preparar e de ter resposta para os desafios que o sistema de saúde enfrenta. Então a resiliência, a inovação é fundamental para a gente ter um sistema de saúde também mais resiliente”, disse em entrevista ao Correio do Povo.

Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde | Foto: Alina Souza

A Rede Nacional de Serviços Inteligentes tem um investimento de R$ 1,7 bilhão oriundo do banco dos BRICS e mais R$ 200 milhões do Governo Federal para compra e distribuição da tecnologia.

“Com essa rede conectada, nós vamos ter os profissionais de saúde trabalhando, discutindo os casos, o melhor monitoramento dos pacientes e a melhor capacidade de implementar melhores condutas. É uma garantia de qualidade. Ao mesmo tempo, o objetivo esperado da rede é que, com a melhor conexão das equipes do SAMU com as equipes dos hospitais, também a gente tenha um atendimento mais rápido numa situação de emergência”, explicou.

Para ele, a inteligência artificial já está ajudando a qualificar o processo de decisão dos profissionais de saúde.

“A inteligência artificial trabalha com uma quantidade enorme de dados e também conta com uma plataforma de dados brasileiros. É muito importante para a gente ter algoritmos que tenham capacidade de analisar, sugerir e orientar práticas. Hoje fizemos essa discussão de que a inteligência artificial não substitui a decisão, mas ela é como se fosse um copiloto que ajuda a orientar uma tomada de decisão”, relata.

No futuro, a ideia é ampliar esses serviços inteligentes para outras áreas da saúde pública, como a atenção primária e as consultas com especialistas.

“A ideia depois é a gente poder ampliar, fazer compras nacionais que possam permitir com que os demais hospitais brasileiros adquiram essas tecnologias. O ministério tem um papel de indução por meio do financiamento dessa transformação digital que está em curso”, concluiu.

Como funciona a UTI Inteligente

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente integra equipamentos de monitoramento, sistemas de informação e ferramentas digitais que permitem o acompanhamento contínuo dos pacientes internados. Os dados clínicos são reunidos em tempo real, o que possibilita o monitoramento de indicadores assistenciais e apoia a tomada de decisão pelas equipes de saúde. A estrutura também permite o compartilhamento de informações entre profissionais envolvidos no cuidado e, quando necessário, o suporte remoto de especialistas.

O acesso à UTI Inteligente ocorre durante a internação em hospitais que dispõem dessa estrutura. Não é necessário realizar cadastro ou solicitar diretamente o serviço. A utilização dos recursos tecnológicos é definida pela equipe assistencial, conforme a avaliação clínica de cada paciente.

Como funciona o atendimento pré-hospitalar com ambulâncias conectadas

Além das UTIs Inteligentes, a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes prevê a utilização de ambulâncias equipadas com recursos de conectividade que permitem o compartilhamento de informações clínicas entre a equipe de atendimento móvel e a unidade hospitalar de destino.

Durante o deslocamento, podem ser transmitidos sinais vitais, exames e outras informações clínicas, possibilitando que a equipe hospitalar receba previamente os dados necessários para organizar o atendimento antes da chegada do paciente.

Para a população, o acesso permanece o mesmo em situações de urgência ou emergência — como suspeita de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), acidentes com vítimas, dificuldade respiratória intensa, perda de consciência, crises convulsivas, intoxicações e outras situações que representem risco à vida. O atendimento deve ser solicitado pelo telefone 192, da Central de Regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Após a avaliação da ocorrência, a equipe mais adequada é acionada e, quando disponíveis, os recursos tecnológicos são utilizados durante o atendimento.

Expansão da rede e unidades integradas

A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, voltado à expansão do atendimento especializado da rede pública. No Rio Grande do Sul, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, já conta com uma UTI Inteligente.

Todas as unidades da Rede estarão conectadas a uma central nacional de pesquisa e inovação, integrada ao futuro Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, o primeiro hospital inteligente do Brasil.

Atualmente, a UTI Inteligente está disponível nas seguintes unidades do SUS:

Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre (RS);

Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), em Belo Horizonte (MG);

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF/UFRJ), no Rio de Janeiro (RJ);

Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira, em Recife (PE);

Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, em Manaus (AM); e

Hospital Universitário de Brasília - UnB, no Distrito Federal.

Congresso CONASEMS Porto Alegre | Foto: Alina Souza

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