Agentes da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) fizeram a aplicação de fumacê na manhã desta quarta-feira em áreas do bairro Sarandi, na zona Norte, uma das áreas mais afetadas pela dengue em Porto Alegre. O trabalho foi encerrado ainda cedo da manhã. Nesta quinta, às 9h30min, os militares do Exército retornam às ruas do bairro Camaquã para atividades de aplicação de inseticida e conscientização de moradores quanto aos perigos da doença, que causou três mortes e mais de 22,6 mil confirmações até esta quarta.
Enquanto isso, uma piscina abandonada e repleta de água parada esverdeada e com dezenas de mosquitos à vista, localizada na antiga sede de uma associação de moradores na rua Ari Barroso, no mesmo bairro, vem preocupando moradores desta região, uma das mais afetadas pela dengue em Porto Alegre. Há um grande muro em frente, um portão com cadeado, o mato é alto e cresce a olhos vistos, e todo o espaço do clube tem vidros quebrados e aspecto de abandono.
De acordo com moradores, a situação começou há cerca de três anos. Antes, a Associação dos Amigos do Jardim Barão do Cahy era um lugar pujante e que recebia festas com frequência. O prédio, no final da rua, de acordo com moradores, havia sido uma doação do Lions Clube local para a criação, entre outros, de uma cancha de bocha, mas as confraternizações na antiga piscina, inclusive bailes funk, começaram a ser motivo de perturbação para os vizinhos.
Uma piscina que fica nos espaços abandonados da antiga Associação dos Amigos do Jardim Barão do Cahy, na Rua Ari Barroso, no bairro Sarandi, preocupa os moradores do entorno por ser um local favorável para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue
“Inclusive brigamos na Justiça e chamamos a Brigada Militar. A bocha começou a decair e os idosos que frequentavam aqui começaram a deixar o local. Não houve uma sucessão”, conta a secretária executiva Patrícia Müller Lehn, que disse morar no local desde 2007. Segundo ela, agentes de saúde com frequência visitam a área, inclusive aplicando fumacê, resolvendo pouco a situação. “A gente paga um morador daqui para cuidar, porque a grama já esteve bem maior. De qualquer forma, já foi furtado tudo o que foi possível. Não há uma limpeza ou um cuidado.
O telhado segue com muito risco de cair, e acredito que apenas para religar a energia elétrica, vão alguns milhares de reais”, acrescentou. Este morador que cuida do local também tem a chave do portão. Mas o único funcionário, em tese, do clube, é o presidente Daniel Pires, que atua também em uma empresa de Esteio, na região metropolitana. Procurado, ele disse que uma equipe deverá limpar o local entre esta quinta e sexta-feira, e que ele próprio busca terminar as atividades da associação.
“Estou disposto inclusive a pagar para encerrá-la. Quero falar com a Prefeitura para saber se não querem utilizar aquele salão, passar para o município mesmo. Minha ideia é também, mais adiante, derrubar aquela parede. Acredito que conseguiria pagar as contas se pudesse, por exemplo, construir uma quadra de futebol ali. Mas, por enquanto, até sexta-feira vai estar tudo limpo”, disse Pires. A SMS também foi procurada para se manifestar sobre a situação, e um retorno é aguardado.