Saúde

Rio Grande do Sul registra tendência de queda em casos de dengue, mas cuidados devem permanecer

Cenário é favorável em comparação com o ano passado, porém mesmo com a chegada do frio, casos devem custar a diminuir

Apesar da chegada do frio, o mosquito fica em ambientes quentes e os criadores podem permanecer em locais com temperatura maior; medidas de prevenção devem permanecer
Apesar da chegada do frio, o mosquito fica em ambientes quentes e os criadores podem permanecer em locais com temperatura maior; medidas de prevenção devem permanecer Foto : Camila Cunha

Desde a semana 21, os casos de dengue confirmados por semana epidemiológica apresentam cenário de queda no Rio Grande do Sul. O estado registra, até o momento, 30.459 casos confirmados e 37 óbitos, de acordo com o painel de casos de dengue da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Porto Alegre, município que lidera os casos e óbitos, registra quase 16 mil casos confirmados – o número pode apresentar defasagem –, e 17 mortes, seguido de municípios como Viamão, com 6.232 casos; Alvorada, com 3.765 e Novo Hamburgo, com 2.575.

Na avaliação de Valeska Lagranha, bióloga do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), o cenário atual da doença é favorável neste ano, comparado com 2024, quando os casos se extrapolaram. Porém, questões climáticas são fatores importantes para a permanência dos casos, atesta a bióloga.

“A dengue é uma doença que antigamente se dizia que era sazonal, só tinha casos no verão. Hoje já se sabe que o mosquito se adaptou mais ao nosso frio, e a gente não tem tido invernos tão rigorosos quanto antigamente”, afirma.

Ela afirma, no entanto, que a tendência é que o número de casos baixe com o frio, considerando que a velocidade de reprodução do mosquito diminui. “A larva, no frio, não sobrevive com tanta facilidade quando comparado com o calor. A gente tem uma tendência de queda no número de casos no inverno pela velocidade de reprodução do mosquito que diminui e, também, porque a gente se protege mais com as várias camadas de roupa, e tem pele menos exposta”, explica.

Considerando, porém, que o mosquito fica em ambientes quentes, os criadores podem permanecer em locais com temperatura maior mesmo no frio. A bióloga reforça, então, que as medidas de prevenção devem permanecer.

“O que a gente observa esse ano, diferente do ano passado, é que está demorando um pouco mais para essa curva de casos cair. Ainda temos bastantes casos, é um número menor que 2024, mas a queda está menos acentuada do que se via nos anos anteriores. Teve um atraso de uma ou duas semanas para começar a ter essa queda”, diz a bióloga. Os motivos podem ser relacionados, também, à demora para inserção dos dados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), e ao fato de que muitos ainda estão sendo analisados e não foram descartados. “A gente vai ter a certeza desse cenário daqui uma ou duas semanas”, projeta Valeska.

Alterações climáticas e a adaptação do mosquito, que não precisa só se reproduzir em água limpa, e já é mais resistente ao frio, são também questões que estão sendo analisadas a longo prazo para entender o seu comportamento. “Vamos ter que ir vendo se isso vai se perpetuar ao longo dos próximos anos também, ou se foi uma coisa exclusiva deste ano”, ela diz.

Ela salienta que, mesmo com a tendência de queda do número de casos, eles seguem no inverno. Portanto, as medidas de prevenção para eliminar possíveis criadouros segue sendo fundamental, afirma Valeska.

“Inclusive, sempre digo que o principal momento para a gente combater o Aedes é no inverno, porque quanto menos entulhos a gente deixar quando começar a aumentar a temperatura, não vai ter tanto ambiente disponível para o mosquito se reproduzir”, diz.

Vacinação

A vacinação contra a dengue segue disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em unidades de saúde de Porto Alegre. O último dado repassado pelo Ministério da Saúde, de 18 de maio, é de que, da totalidade das duas doses de vacinação distribuídas aos municípios, 33% foram aplicadas. Segundo a bióloga, a taxa está baixa.

“Nossa preocupação agora é com a chegada do inverno, que o pessoal meio que esquece de fazer a vacinação. Quando está circulando muito na mídia os casos de dengue, os pais costumam levar, mas é importante que os pais levem essas crianças e adolescentes. A gente brigou tanto para ter a vacina no estado, então agora que tem disponível, tem que sempre enfatizar a levar para as crianças para fazer essa vacinação”, afirma Valeska.

Veja Também