O Hospital de Campanha montado junto à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, no bairro São Sebastião, zona Norte de Porto Alegre, para ampliar o atendimento a pacientes com sintomas de dengue, contou com movimento intenso no feriado de Tiradentes, nesta segunda-feira. Desde a última quinta-feira, dia 17, até o início desta tarde, já foram registrados 396 atendimentos envolvendo casos suspeitos, confirmados e descartados. Foram quatro internações, entre elas uma com redução de plaquetas. Até o início da tarde, foram registrados, na Capital, 4.584 casos confirmados e 19.602 notificados, de acordo com o painel de arboviroses da prefeitura.
A tenda conta com 30 leitos para receber pacientes com suspeita ou confirmação de dengue, com atendimento 24h. A UPA e o Hospital de Campanha são vinculados ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC), e a estrutura da tenda é fornecida pelo Ministério da Saúde.
De acordo com Jesse James Selistre, gerente da UPA Moacyr Scliar, os principais sintomas relatados pelos pacientes envolvem dor de cabeça, manchas no corpo, dores nas articulações, náuseas e enjoos, e os atendimentos são realizados conforme o protocolo de Manchester. "São classificados se for verde, amarelo ou laranja, e depois subdivididos, se é um atendimento clínico comum dentro da UPA ou de sintomas relacionados à dengue para ser encaminhado para atendimento no hospital de campanha", ele explica.
A partir da triagem, os pacientes encaminhados para a tenda recebem atendimento médico, coleta de exames, hemograma, hidratação e, ainda, é feita uma reavaliação caso seja necessária uma internação dentro da UPA ou de leito na rede hospitalar. A unidade também tem recebido pacientes de outros municípios da região metropolitana, principalmente de Alvorada e Cachoeirinha.
Nesta manhã, Dionice Oliveira dos Santos, moradora do bairro Mario Quintana, acompanhava sua filha Cecília Daniela dos Santos, de 36 anos, que estava com diversos sintomas de dengue há dois dias: dor no corpo, febre alta e ânsia de vômito. Ela passou pela triagem na UPA Moacyr Scliar e recebeu hidratação com soro, além de ter feito exame de sangue, e estava aguardando há cinco horas para receber os resultados do exame. Foi a primeira vez que Daniela veio à unidade. “Onde moro, tem muitos focos de dengue. Muitas pessoas com casos. Temos uma área com muito mato e junta água”, relata Dionice.
Alessandra Karina Barcellos, também moradora da avenida Serafim Machado, no mesmo bairro, acompanhava seu tio, Adão José Feijó, de 69 anos, que estava há 10 dias com sintomas como febre alta e falta de apetite. Ele já tem problemas no coração e constante falta de ar, e foi a primeira vez que procurou atendimento para dengue. Ele ficou duas horas aguardando atendimento até ser chamado para a triagem e encaminhado para tenda. A filha de Alessandra, de 30 anos, também teve a doença, e apresentou sintomas por mais de 15 dias.
“Nossa rua tem muitos casos, muita gente que fez o teste e deu positivo”, diz Alessandra. Acho que falta fiscalização nas casas e nos pátios. Muita gente tem piscina de chão, por exemplo, e não trata a água, e vira foco”, relata.
O Hospital de Campanha montado na UPA Moacyr Scliar atende mais casos de suspeita de dengue nesse feriado de Tiradentes, 21/04
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Jesse lembra que o tempo de espera após a coleta de exames é em torno de duas a quatro horas. Após, o paciente deve retornar com os resultados, que são emitidos em laboratório, para reavaliação pelo médico. "Infelizmente tem que aguardar", diz o gerente, que lembra que, em finais de semana e feriados, a demanda aumenta já que os outros postos de saúde estão fechados. "Aqui é o único lugar que atende 24h na zona Norte, sem retaguarda alguma de outro lugar, e aliado a isso tem a epidemia da dengue", explica.
Ele acrescenta que, após às 11h da manhã, o tempo de espera costuma ficar mais espaçado, pois começam a chegar pacientes por demanda espontânea ou que foram encaminhadas de outra unidade ao mesmo tempo. "Isso ocasiona demora no atendimento da classificação de risco e demora no atendimento do atendimento médico", diz.
A tenda seria montada apenas nesta semana, mas a abertura foi antecipada após o aumento de casos e o decreto de emergência emitido pela epidemia de dengue. “A gente notou que a população ia ficar sem nenhum tipo de assistência na zona Norte de Porto Alegre, e nós procuramos antecipar e ampliar o serviço”, diz Jesse. “Com certeza ajuda, porque vai aumentar o número de casos e a gente consegue separar casos de dengue e casos que não são. Um ou outro [paciente] tem sintoma similar com outra doença, acaba indo paciente para atendimento clínico que é caso de dengue e a gente consegue redirecionar”, explica.
Haverá mais uma abertura de tenda, no Stok Center da avenida Manoel Elias, ainda neste mês, mas sem data fixa definida para abertura, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Estão abertos, também, os prontos atendimentos 24h, os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), os Serviços de Residenciais Terapêuticos e os hospitais do município (HPS e Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas). O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192. A Equipe de Regulação Hospitalar e o plantão de notificação epidemiológica seguem funcionando. As demais unidades de saúde e farmácias distritais retomam o atendimento nesta terça-feira, 22.
Prontos atendimentos e hospitais que funcionam 24 horas, inclusive nos feriados:
- PA Cruzeiro do Sul (rua Professor Manoel Lobato, 151, Santa Tereza)
- PA Bom Jesus (rua Bom Jesus, 410, Bom Jesus)
- PA Lomba do Pinheiro (estrada João de Oliveira Remião, 5120, parada 12, Lomba do Pinheiro)
- PA de Saúde Mental IAPI (rua Valentim Vicentini, s/nº )
- UPA Zona Norte Moacyr Scliar (rua Jerônimo Velmonovitz, esquina com avenida Assis Brasil)
- Hospital de Pronto Socorro (Largo Teodoro Herzl, s/nº, bairro Bom Fim)
- Hospital Materno Infantil Presidente Vargas - emergências obstétrica e pediátrica (avenida Independência, 661)