Saúde

TJRS e Farmácias São João promovem ação para incentivar doação de órgãos em Porto Alegre

Iniciativa do projeto Doar é Legal ocorre durante o Setembro Verde e permite a emissão de certidão que atesta a vontade de se tornar doador

Desembargador do Tribunal de Justiça, Carlos Eduardo Richinitti, conversou com a população.
Desembargador do Tribunal de Justiça, Carlos Eduardo Richinitti, conversou com a população. Foto : Alina Souza

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e a rede de Farmácias São João realizam, nesta quarta-feira, uma ação para incentivar a doação de órgãos e tecidos em Porto Alegre. A atividade faz parte do projeto Doar é Legal, do TJRS, e integra a programação do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos.

Durante a ação, representantes do projeto conversam com clientes da farmácia e pedestres, esclarecem dúvidas e distribuem materiais informativos sobre como declarar a intenção de ser doador. A atividade ocorre em uma unidade da rede localizada na Avenida Ipiranga, ao lado do Hospital Ernesto Dornelles.

No Brasil, a autorização para a doação de órgãos após a morte depende da família. Por isso, segundo o TJRS, declarar a intenção de ser doador e comunicar a decisão aos familiares ajuda a deixar clara a vontade da pessoa.

Para o desembargador Carlos Eduardo Richinitti, da 9ª Câmara Cível de Porto Alegre e idealizador do projeto, comunicar a vontade à família pode facilitar a decisão em um momento de luto.

“À medida que a pessoa declara a sua vontade e o familiar sabe disso, estatisticamente, a abordagem fica bem mais fácil. Os familiares geralmente cumprem a vontade da pessoa, desde que saibam, desde que ela tenha manifestado de alguma forma, em vida, a sua intenção de ser um doador”, afirmou o desembargador.

Criado pelo TJRS em 2009, o projeto busca ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos e contribuir para a redução da fila de pessoas que aguardam por transplantes. Uma das principais iniciativas do projeto é a emissão de certidão que registra a manifestação de vontade de uma pessoa de ser doadora. Mais de 40 mil certidões já foram emitidas pelo projeto Doar é Legal. Veja abaixo como fazer.

O documento não possui validade jurídica para autorizar a retirada de órgãos, mas registra a intenção e ajuda a deixar a decisão conhecida pois compartilhamento as informações com o Sistema Nacional de Transplantes.

Ação busca ampliar informação

A parceria com as Farmácias São João pretende levar informações sobre o projeto a um público maior, aproveitando o fluxo de pessoas nas unidades da rede. O Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF-RS) também apoia a iniciativa.

Luciano Silva, coordenador regional das Farmácias São João, afirma que a falta de informação ainda é um dos fatores que dificultam a discussão sobre o tema.

“Muita gente tem resistência por falta de conhecimento. É um assunto que ninguém quer que chegue até eles, mas é uma realidade que a gente vive. A gente não sabe se amanhã não vai ser a gente que vai precisar de um doador”, disse.

A rede também pretende ampliar a divulgação do projeto. De acordo com Silva, a empresa vai disponibilizar o QR Code que leva ao site para gerar a certidão no site e nas redes sociais das farmácias, além de instalar cartazes em outras unidades da Capital.

“Normalmente, quando ouvimos falar do assunto, é para ver que as filas só crescem. E, às vezes, apenas conversando com um familiar, você pode ajudar a diminuir essa espera e salvar vidas”, disse o coordenador regional.

O projeto Doar é Legal conta ainda com apoio da Secretaria Estadual da Saúde, por meio da Central de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), do Hemocentro do Estado e da Via Vida Pró-Doações e Transplantes.

Como emitir a certidão

A manifestação de vontade pode ser registrada gratuitamente pelo site do projeto Doar é Legal (doarelegal.tjrs.jus.br).

Para participar, é necessário acessar a plataforma e selecionar a opção “Emita a sua certidão”. Depois, o interessado deve preencher os dados solicitados, marcar a opção que autoriza o compartilhamento das informações com o Sistema Nacional de Transplantes e clicar em “Cadastrar-me e gerar a certidão”.

Após emitir o documento, a orientação é comunicar a decisão aos familiares.