Neste domingo, o Estatuto do Idoso completou 20 anos e se revelou como um importante instrumento protetivo para as pessoas da chamada terceira idade, aqueles que já têm mais de 60 anos. Ele foi gestado para implementar políticas públicas voltadas às pessoas idosas e, assim como teve conquistas dentro do desafio de atender demandas diversas num país que envelheceu rapidamente, abrigando uma população de cerca de 33 milhões de cidadãos sexagenários ou acima, também demanda revisão numa série de pontos.
Alguns avanços dizem respeito à cidadania, à dignidade humana, com o reconhecimento da vulnerabilidade desse segmento. Foram criadas delegacias especializadas, benefícios diversos, como a garantia de mobilidade no transporte coletivo, a concepção de que a proteção deve ser não apenas familiar como coletiva, a confirmação do direito ao lazer, ao esporte, ao convívio equilibrado e respeitoso em sociedade, fixando-se ainda a responsabilidade de filhos e netos acerca da manutenção de pais e avós em condições socioeconômicas adversas.
Por outro lado, ainda há muito para avançar em termos de combater preconceitos e tabus sobre essa fase da vida, bem como o combate à violência doméstica, que implica a formação de estruturas ágeis de atendimento, além do aperfeiçoamento do acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) para propiciar o atendimento de enfermidades físicas e mentais próprias da vivência avançada.
Vivemos numa cultura que privilegia a juventude em detrimento da experiência acumulada e precisamos caminhar no sentido de aliar essas duas variantes como forma de conformar uma coletividade marcada pela justiça social. Para tanto, urge valorizar os estratos hipossuficientes, como mulheres, povos indígenas, negros, idosos, pessoas com deficiência e crianças e adolescentes. Temos uma Constituição federal que traz preceitos de equidade que devem ser observados por todos, mas ainda temos um longo caminho visando à efetividade desses princípios e valores.