Nesta edição de sexta-feira, o Correio do Povo dedicou várias de suas páginas para tratar dos fatos relativos aos oito meses após a maior tragédia climática do Estado, que atingiu mais de 90% dos seus municípios, com reflexos em 484 cidades num universo de 497. As perdas foram imensas, tanto materiais quanto em termos de vidas, com a economia gaúcha entrando em um quadro caótico, que, com muita superação, aos poucos, vai ficando para trás. Todavia, os prejuízos, os traumas e muitas das causas que geraram esse cenário tão adverso continuam no horizonte da população e precisam ser enfrentados de forma solidária e efetiva.
As medidas que precisam ser tomadas são incontáveis e envolvem desde o apoio às famílias que perderam tudo até o apoio para que os empreendedores possam retomar seus negócios, contando com uma infraestrutura eficiente, bem como pela realização de obras viárias e melhorias dos sistemas de escoamento, como no caso do funcionamento das casas de bombeamento das águas acumuladas em grandes precipitações pluviais ou em deslocamentos fluviais invasivos. Não se pode esquecer o planejamento urbano adequado, a identificação das áreas de risco, a manutenção regular ou a expansão da capacidade de drenagem, construção de barragens e diques, reflorestamento amplo e recomposição da mata ciliar nas margens dos fluxos hídricos, desassoreamento dos rios, coleta seletiva eficaz do lixo urbano para que não obstrua as bocas de lobo, educação ambiental para que as pessoas melhorem sua interação com a natureza.
Há muito por se fazer e um exemplo disso é o grande contingente de pessoas que continuam desabrigadas, sem ter onde morar. Essa resposta do poder público está sendo lenta e dolorosa para quem espera por um teto. Espera-se que haja celeridade e que as promessas urdidas no calor dos acontecimentos sejam cumpridas. Os investimentos em prol daqueles que foram atingidos não podem ser procrastinados nem suas demandas negligenciadas.