É inconcebível que muitas doenças evitáveis por meio da vacinação continuem a causar problemas de saúde e até mesmo mortes. A ciência já garantiu a prevenção contra sarampo, catapora, febre amarela, caxumba, rubéola, difteria e muitas outras enfermidades, mas o que se vê é que, apesar da disponibilização de meios eficazes para combatê-las, elas continuam a fazer vítimas como fizeram num passado não muito distante. Não obstante a possibilidade de neutralizá-las de forma efetiva, o fato é que continuamos a ver o recrudescimento de suas ocorrências e, inclusive, a volta de algumas chagas que já se julgavam erradicadas.
O surto mais recente de um mal perigoso é o da coqueluche. Trata-se de uma anomalia que pode causar infecção respiratória, com sintomas semelhantes a um resfriado, como tosse seca, febre baixa, coriza e mal-estar geral. Em sua evolução, pode se tornar mais intensa, causando vômitos e desconfortos constantes. O pior é que pode evoluir para a letalidade. Recentemente, um adolescente, da cidade de Horizontina, de 15 anos, faleceu em decorrência de ter sido acometido por ela. Esse fato acendeu o sinal de alerta para as autoridades no Rio Grande do Sul. Até agora, antes mesmo do final do primeiro trimestre, já foram registrados dezenas de casos e muito disso se deve à falta de cobertura vacinal, apesar de os imunizantes estarem disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, o Estado registrou 430 exames positivos, o maior montante desde 2013, quando foram confirmadas 517 constatações positivas.
Boa parte da negligência da comunidade em levar seus filhos para se imunizar, possivelmente, se deve à desinformação, o que inclui notícias falsas acerca de danos paralelos causados pela vacinação. O preço dessa omissão pode ser muito alto. A sabedoria popular está coberta de razão ao asseverar que prevenir é melhor do que remediar. E, muitas vezes, nem remediar é possível. Por isso, urge vacinar nossos infantes com a devida celeridade para evitar o pior.