Frequentemente, os diferentes governos divulgam estatísticas envolvendo a criminalidade. Não raras vezes, mostram diminuição em número de assaltos, roubos, homicídios, estelionatos e outros delitos, buscando evidenciar uma atuação efetiva em prol do cidadão por parte das forças de segurança, que fazem o que está ao seu alcance para mitigar a ação dos meliantes. Muito disso se deve à colaboração da população, que se vale dos canais indicados para municiar as autoridades com subsídios sobre aquilo que sabe ou vivencia no seu cotidiano envolvendo fatos delituosos.
Ao passo em que ocorre tal integração e também bons resultados no combate ao crime, há um tipo de ocorrência que, infelizmente, não se consegue erradicar, embora não seja difícil indicar a autoria. Trata-se do feminicídio, que é praticado contra a mulher apenas por ela ser mulher dentro de um contexto de violência doméstica e familiar, com menosprezo ou discriminação direcionada. Esses casos continuam em alta no Rio Grande do Sul e no Brasil. No Estado, em março, houve nove feminicídios, um aumento preocupante em relação aos seis casos de fevereiro do ano em curso. No país, foram 1,4 mil mulheres mortas em 2022 apenas pelo fato de serem mulheres, constituindo uma média de uma a cada 6 horas. Trata-se de uma grave tragédia social, que enluta famílias e deixa filhos órfãos e desassistidos.
Diante dessa realidade a ser enfrentada, vem em boa hora a informação de que o governo federal vai aportar R$ 250 milhões oriundos do Fundo Nacional de Segurança Pública. O percentual para tal finalidade passa de 5% para 10% e o montante será empregado para apoiar os entes federados no fortalecimento das patrulhas da Lei Maria da Penha e das delegacias da Mulher. Sem dúvida, é preciso aparelhar mais as forças-tarefas e os órgãos encarregados de acolher brasileiras em situação de vulnerabilidade causada por um agressor violento e perigoso. Esse encargo é de toda a coletividade e os recursos públicos precisam ser disponibilizados para esse fim.