No seu início, o futebol era um evento para as famílias e sua principal motivação girava em torno do lazer e do divertimento. Com o tempo, graças a uma minoria desajustada, os estádios foram se tornando um ambiente hostil para os verdadeiros amantes do esporte. Atitudes como ofender jogadores e o árbitro do jogo se tornaram comuns, além das brigas entre as torcidas, e parecia que não havia muito a fazer em relação a isso. O resultado foi que a violência fez com que os espetáculos tivessem um caráter excludente para parcela do público.
Nesse contexto, episódios de racismo passaram a ter uma indesejada frequência. Contudo, sempre foram de difícil comprovação, pois não havia registros mais precisos sobre tais situações. Todavia, com o advento das novas tecnologias e o aperfeiçoamento da legislação, como no caso dos Juizados do Torcedor, bem como a adesão dos clubes a protocolos mais rígidos, foi possível dar um melhor encaminhamento para essas questões. Foi então que muitos torcedores foram levados a responder por seus atos delituosos. Contudo, na maioria das vezes, tais condutas eram vistas como de menor potencial ofensivo.
Entretanto, parece que algo está mudando no mundo futebolístico. E para melhor. Em decisão inovadora juridicamente pelo seu alcance, três torcedores do Valencia foram condenados na Espanha por insultos racistas ao jogador brasileiro Vini Jr. em partida com o Real Madrid. A pena é de oito meses de prisão, multa e proibição de frequentar os jogos por dois anos. Essa penalização inaugura uma nova fase no segmento esportivo e deve servir de alerta para aqueles que pensam em se valer dos eventos para extravasar sua raiva gratuita, seu racismo e sua xenofobia.
O exemplo vindo da nação espanhola representa uma vitória do mundo civilizado contra a discriminação racial e o preconceito. Espera-se que as entidades do esporte e as autoridades se somem a essa nova senda de maior efetividade no enfrentamento à chaga reprovável do racismo.