Editorial

Baixo desempenho em leitura

Todos sabemos que o período da pandemia teve reflexos negativos no ensino. Todavia, é preciso buscar meios de mitigar danos e de transformar essa realidade adversa em ganhos cognitivos num curto espaço de tempo.

Dentro do orçamento da União, a educação tem valores bastante consistentes, girando em torno de R$ 150 bilhões. Todavia, há uma constatação de que muito desse montante fica pelo meio do caminho, não chegando à atividade-fim, no caso, os alunos em sala de aula, notadamente na educação básica, que envolve desde o ensino infantil até o chamado ensino médio. Eis uma realidade que precisa ser alterada como forma de as ações finalísticas receberem mais verbas e mais atenção por parte das autoridades federais, estaduais e municipais, principalmente do Ministério da Educação.

Esse déficit de investimento pode ser traduzido em várias aferições, tanto em nível nacional como em nível internacional, do qual o procedimento mais conhecido é o ranking medido pela Organização das Nações Unidas (ONU), na qual o Brasil tem figurado em colocações vexatórias. Nessa esteira, está sendo tornado público um outro levantamento que está longe de nos orgulhar. De acordo com os dados do Estudo Internacional de Progresso em Leitura (PIRLS), de 2021, quatro a cada grupo de dez alunos brasileiros do 4º ano não apresentam domínio sobre a leitura. Neste quesito, o país ficou entre os últimos em avaliação internacional, superando apenas Irã, Jordânia, Egito e África do Sul em um estudo que avaliou, em 57 países, a capacidade de leitura e de apreensão de significados por parte de alunos matriculados no 4º ano do ensino fundamental. Tendo 500 pontos como linha de corte, Singapura, o primeiro colocado, fez a pontuação 587, enquanto os alunos brasileiros atingiram 419.

Todos sabemos que o período da pandemia influiu negativamente na capacidade de aprendizado do corpo discente como um todo. Todavia, é preciso buscar meios e alternativas de mitigar danos e de transformar essa realidade adversa em ganhos cognitivos no curto, médio e longo prazos. Os desafios pessoais e profissionais do estudantado do país só poderão ser vencidos se a ele for ofertado um ensino de qualidade, que faça a diferença em suas vidas.