Infelizmente, aconteceu de novo e quase terminou em uma grande tragédia. Um pai foi espancado pelo fato de observar a própria filha, de 13 anos, se dirigindo para a escola pela primeira vez sozinha. Ele foi confundido com um pedófilo por populares e recebeu pancadas e agressões que, por muito pouco, não lhe ceifaram a vida. A sessão de tortura, com risco de vida, só cessou quando sua mulher e a própria filha confirmaram sua versão. O fato ocorreu em Botucatu, cidade do interior paulista nesta segunda-feira.
Esse fato remete a um outro em que a ação de vingança privada de pessoas comuns resultou na morte de uma acusada injustamente de estar envolvida com sequestro de crianças em Guarujá, no litoral do estado de São Paulo. Fabiane Maria de Jesus foi confundida com uma procurada cuja foto foi divulgada em redes sociais e sofreu espancamento até morrer, numa ocorrência lamentável e violadora de todos os seus direitos mais básicos, interrompendo sua existência e deixando uma lacuna para amigos e familiares.
Desafortunadamente, nem o RS está livre desse tipo de evento trágico. Em 2022, Arlindo Elias Pagnoncelli, o Zinho, 39 anos, foi alvo de espancamento por uma turba em Nova Prata, falecendo alguns dias depois. O grupo o agrediu porque uma mulher havia dito que ele a havia importunado, o que não se confirmou, embora tal pretexto não possa ser alegado por não ter o mínimo de fundamento para justificar o delito de homicídio.
As ocorrências elencadas acima sinalizam que as autoridades precisam estar atentas para aplicar as leis nesses e noutros casos semelhantes, bem como atuar para dissuadir cidadãos e cidadãs a buscarem justiça pelos próprios meios, tornando-se criminosos. Nossas forças policiais realizam seu trabalho com afinco e cabe a elas a incumbência de apurar delitos penais. Num tempo em que as notícias falsas circulam com extrema velocidade, urge estar atento para não ser mais um desavisado a embarcar nessa onda de desinformação. O resultado desse voluntarismo pode ser uma dura punição para os envolvidos.