Apesar de todos os esforços despendidos para erradicar o racismo no esporte, inclusive com o aprimoramento da legislação vigente e das ferramentas para combater esse tipo de ocorrência, como no caso dos juizados do torcedor, bem como com a promoção de campanhas de esclarecimentos, a questão da discriminação racial continua a ser uma chaga no cotidiano do país, seja como racismo, que atinge toda uma comunidade indeterminada dentro de um determinado espectro étnico, seja como injúria racial, que atinge um determinado indivíduo de uma certa etnia. Não obstante todas as ações coletivas e institucionais, ainda se pode verificar que há muito por avançar para que tenhamos uma nação livre de preconceitos, em que impere a paz social, com o respeito à dignidade humana.
Essa realidade adversa, de continuidade e de incremento nos casos de delitos raciais, é confirmada por um levantamento do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, que vem sendo realizado desde 2014. Segundo o órgão, no ano em que o relatório começou a ser publicado, foram registrados 36 casos de racismo no Brasil e no exterior. Cinco anos depois, em 2019, o número já estava em 159 casos. No ano posterior, em 2020, devido ao início da pandemia, o número de casos caiu para 81, mas voltou a subir para 158, em 2021. Passou para 233, em 2022. Em 2023, foi para 250, que são registros da última edição publicada até o momento. Esse panorama indesejado mostra que o poder público e a sociedade civil precisam estabelecer medidas que tenham a eficiência necessária para impedir que fatos como os referidos continuem a ocorrer.
O esporte é um direito de todos e um lazer protegido constitucionalmente e precisa receber o incentivo para que continue a realizar seu papel de congraçamento entre as pessoas. Para tanto, há que se separar o joio do trigo, retirando dos estádios os vândalos e os racistas a fim de que a paz volte a imperar nos eventos esportivos.