Novamente, a finalidade do esporte como meio de congraçamento é colocada em xeque por grupos de vândalos que se valem do futebol como pretexto para praticar crimes e cometer arruaças. Foi o que ocorreu nas ruas de Recife neste sábado, quando um confronto entre torcedores do Sport e do Santa Cruz, antes do jogo entre os dois times, deixou um resultado trágico de ao menos 12 pessoas levadas aos hospitais daquela capital por ferimentos diversos. Centenas de pessoas foram encaminhadas para averiguação e depois liberadas, enquanto 14 delas permaneceram detidas. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram cenas de extrema violência. A governadora Raquel Lyra e o prefeito João Campos lamentaram o ocorrido e prometeram providências no sentido de promover a responsabilidade dos culpados e de prevenir esse tipo de acontecimento em eventos esportivos.
Isso que ocorreu na metrópole pernambucana, infelizmente, não é um fato isolado e demanda ações efetivas do poder público para coibir essas condutas. São comuns as guerras entre torcidas, muitas vezes combinadas pela rede mundial de computadores. Há casos de óbitos nesses conflitos, como no episódio da torcedora do Palmeiras, Gabriela Anelli, de 23 anos, morta em uma briga envolvendo palmeirenses e flamenguistas, atingida por uma garrafa de vidro. Nessas agressões, não raro são empregadas armas de fogo, facas, objetos de madeira, tudo o que puder ser empregado para ferir outrem. O que deveria ser um evento de mera diversão se transforma num filme de terror por conta da ação de indivíduos violentos e antissociais.
Essas situações, que não são de hoje, vêm demandando ações das autoridades. Já houve a alteração da legislação vigente, o aprimoramento dos métodos de identificação dos meliantes infiltrados nos estádios, a criação de juizados dos torcedores, entre outras medidas. É preciso avançar mais ainda para que se consiga atingir a pacificação em partidas de futebol, retomando seu princípio originário de modalidade de lazer.