Editorial

Correio do Povo, 128 anos

Esse legado didático e com regras precisas para orientar os envolvidos na elaboração de cada edição deste jornal é um guia, como o é para o país nossa Carta Magna, que está completando 35 anos de estabilidade.

Neste domingo, o Correio do Povo, um jornal que já está presente em três séculos da vida dos gaúchos, está completando 128 anos. Trata-se de um veículo que surgiu, em 1º de outubro do distante ano de 1895 para inovar no panorama do jornalismo da província, que vivia um tempo em que a informação era relegada a segundo plano diante das paixões políticas e ideológicas que consumiam a cena local, como foi o caso do conflito entre chimangos e maragatos (1893-1895), que deixou um saldo de incontáveis mortos, muitos de forma cruel pela degola. Foi então que o jovem sergipano Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior, na época com 27 anos, assumiu a gigantesca tarefa de fundar um noticioso diferente, com a preocupação de subsidiar a opinião pública com conteúdos marcados pela isenção e pela imparcialidade. Foi neste sentido que redigiu, já no primeiro exemplar do CP, o que vem sendo entendido ao longo dos anos como uma verdadeira “Constituição” para várias gerações de jornalistas que fizeram ou fazem parte de sua redação ao longo dos anos.

Esse compêndio de regras frisa que o jornal sempre estará a serviço das grandes causas da sociedade, que não estará a serviço deste ou daquele segmento, que praticará a isenção na apuração da notícia, que estará sempre voltado ao interesse público e às nobres aspirações do povo, entre outros primados. Esse legado didático e com regras precisas para orientar os envolvidos na elaboração de cada edição deste jornal lembra o complexo de leis insculpidas na nossa Carta Magna, constituição que está completando seus 35 anos, tornando-se a mais estável e mais duradoura do nosso período republicano e sendo o fiel da balança da nossa hoje revigorada democracia.

Unindo tradição e modernidade, incorporando novas tecnologias e sendo fidedigno ao legado do seu primeiro editorial, o Correio do Povo continua como um jornal indissociável do dia a dia dos riograndenses. Cumprirá com galhardia seu papel de bem informar a coletividade para que todos possam exercer a cidadania em sua plenitude.