O racismo no esporte tem se constituído num fato ignominioso nas mais várias modalidades e mesmo no cotidiano dos envolvidos com essas situações reprováveis de discriminação. Não é de hoje que uma atividade que deveria estar restrita apenas à esfera do lazer vem se transformando num espaço de ódio e de aviltamento dos valores mais elementares da sociedade civilizada. No Brasil e no mundo, a atividade esportiva tem o condão de gerar oportunidades para os segmentos mais vulneráveis do ponto de vista socioeconômico. Não é à toa que do futebol no país surgiu aquele que é considerado o maior atleta de todos os tempos, Pelé, menino pobre de Minas Gerais que surgiu em Bauru para escrever seu nome na história mundial ao ingressar no time do Santos e logo em seguida na Seleção Brasileira.
Agora, entre tantos episódios lamentáveis e recorrentes, exsurgiram de forma ampla e intensa na imprensa e na seara internacional os constantes ataques racistas que o jogador brasileiro Vini Jr., atacante do clube espanhol Real Madrid, vem recebendo nos jogos do campeonato espanhol, onde disputa a La Liga. Tais investidas vêm sendo feitas de forma orquestrada e sistemática, tisnando uma disputa futebolística disputada em estádios que viraram cenários da prática de delitos que já deveriam ter sido banidos do dia a dia da humanidade.
Felizmente, o jovem negro Vini Jr. não se intimidou e sua reação vem ganhando a solidariedade das autoridades e da população em todos os países. As manifestações condenando o ocorrido e exigindo providências vão desde o governo brasileiro até a Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo a entidade máxima da modalidade, a Fifa. É essa postura de personalidades e instituições que vem criando a expectativa de que desta vez as coisas vão se processar de maneira diferente. Resta realizar as apurações pertinentes e punir os responsáveis por essas práticas nefastas que atentam contra a dignidade humana, que não pode ser aviltada sob nenhum pretexto.