Editorial

De novo nas mãos dos gaúchos

Na noite de sexta-feira, dia 3 de maio, por volta das 21h, quando os jornalistas e integrantes da equipe que edita e imprime o Correio do Povo encerravam seus trabalhos, premidos pelas circunstâncias do avanço do Guaíba sobre a cidade, eles estavam num sentimento que os expunha entre apreensivos e esperançosos. A apreensão se devia ao lento e angustiante palmear das águas, que não se detinham como se esperava. A esperança era que elas não atingissem níveis elevados, que não ultrapassassem níveis anteriores nem chegassem a um novo recorde. Também ia nisso, como soeu acontecer com todos os gaúchos sob a ameaça das cheias em relação aos seus locais de estada e de trabalho, uma expectativa de que o prédio histórico do jornal não fosse atingido. Todavia, o pior ocorreu e o imóvel ficou inundado, sem acesso à redação, bem como houve alagamento do parque gráfico do jornal, situado nas proximidades da avenida Farrapos, não mais permitindo sua impressão.
Desde então, o trabalho foi hercúleo buscando se reinventar em novas bases para fornecer a necessária informação para os leitores, cumprindo a missão primordial do CP explícita já no seu primeiro editorial, que é o de levar a cada leitor o conhecimento dos fatos mais importantes do seu entorno, sobremaneira quando dele depende a tomada de decisões relevantes para o seu cotidiano. Foi assim que, sem o jornal físico, foram acionadas preferencialmente outras ferramentas, como o jornal digital e o portal on-line, para cumprir com a missão de bem informar os que, de uma forma de outra, estavam envolvidos com a maior catástrofe da história RS. Foram quase duas semanas nesse mister supletivo de chegar à casa de cada leitor e leitora através das novas tecnologias, algo já incorporado ao dia a dia do jornal, mas que convive com as páginas impressas, num exercício de diversificação das formas de suprir seus leitores com as notícias que lhes são relevantes para o seu pensar independente.
Depois de duas semanas sem circulação impressa, a boa notícia é que esta edição já é feita no formato tradicional, em parceria com o Grupo Sinos e com o Centro de Integração Empresa-Escola do Estado. Milhares de jornais serão impressos no Sinos e a redação, por alguns de seus membros, estará presente e alojada no CIEE-RS. Por questões operacionais, ainda não teremos a logística para atender a totalidade dos nossos assinantes, pois a edição terá seu fechamento antecipado e será em formato reduzido, mas já estamos apontando para uma distribuição mais ampla num tempo mais breve possível. O CP, apesar de todos os contratempos, continua firme e forte no seu labor de estreitar seus laços com a comunidade gaúcha, notadamente num momento tão adverso que, certamente, será em breve superado com a união de todos.