O contingente de crianças assistidas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e que agora estão sob ameaça de passar fome por conta de escassez de recursos chega a 14 milhões, o que equivale a mais de duas vezes a população do Paraguai, de 6,1 milhões de habitantes, ou a mais de quatro vezes a população do Uruguai, de 3,3 milhões de pessoas. Esses dados são ilustrativos da gravidade do problema que por ora se vislumbra, com consequências extremamente danosas para esses infantes, suas famílias e suas comunidades.
Esse cenário adverso se deve à restrição de repasses de alguns países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), notadamente do governo de Donald Trump (EUA), que anunciou logo após sua posse a eliminação da maior parte dos programas da agência norte-americana de desenvolvimento Usaid, que administrava um orçamento anual de 42,8 bilhões de dólares, o que corresponde a R$ 245 bilhões pela cotação atual do câmbio em relação ao dólar. O fundo, vinculado à ONU, prevê que 2,4 milhões de crianças que sofrem de desnutrição considerada aguda e grave podem deixar de ter acesso aos “alimentos terapêuticos prontos para o consumo” durante o restante deste ano de 2025. A crise financeira, que se prevê mais ampla, está apresentando seus primeiros impactos nos programas que envolvem iniciativas de segurança alimentar. Em um comunicado, Catherine Russell, diretora do Unicef, lamentou a restrição orçamentária que trava um processo que se configurava positivo no mundo no tocante aos avanços vivenciados, permitindo salvar milhões de vidas nas últimas décadas.
Realmente, essa situação de fragilização de operações de alta repercussão no destino de um imenso contingente de pessoas é preocupante e precisa fazer parte da pauta do mundo civilizado. A situação humanitária de segmentos que já enfrentam migrações, estiagens, enchentes e falta de condições mínimas de sobrevivência exige uma alta interlocução dos governantes das principais nações do planeta para aportar os recursos necessários a fim de salvaguardar pessoas em condição famélica ou assemelhada.