Recentemente, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) emitiu uma nota alertando os governos estadual e federal, bem como a sociedade gaúcha e a iniciativa privada, acerca da necessidade imperiosa de se providenciar o desassoreamento dos cursos de água navegáveis do Estado, citando expressamente, os canais do Furadinho, das Pedras Brancas e da Feitoria, “onde já foram registrados encalhes de navios”, bem como no Guaíba, cujo acúmulo de sedimentos também coloca a navegação em risco.
Essa iniciativa reveste-se da maior importância diante do fato de que boa parte da indústria do RS recebe matéria-prima e exporta seus produtos até pontos logísticos por meio de hidrovias, como é o caso do Polo Petroquímico. Vem daí a busca por uma batimetria, que é a mensuração da profundidade das massas de água – lagos, rios, canais, reservatórios, etc. – para determinação da topografia do seu leito e, por consequência, de sua navegabilidade. A iniciativa foi autorizada pelo governo federal. Entretanto, resta saber, feito o planejamento, de onde virão os recursos para atingir, o mais rápido possível, a meta de desassorear nossas vias hídricas, uma vez que o orçamento inicial está na casa dos R$ 300 milhões. Diante do déficit dos transportes rodoviários e ferroviários, a solução requer cada vez mais celeridade. Contudo, esses investimentos exigem uma sintonia entre as esferas estadual e federal, que devem se entender de forma republicana e colocar o interesse público em primeiro lugar, ainda mais diante da possibilidade de paralisação de importantes setores produtivos do Estado por conta dessa força maior advinda da tragédia climática que nos assolou a todos.
Na busca pela retomada econômica, urge que os governantes se unam para que a infraestrutura do RS volte ao seu patamar histórico, e até o supere, o quanto antes. Nesse sentido, restaurar sua malha de transporte é fundamental. O desassoreamento é uma demanda que exige dos entes federados envolvidos empenho e concertação.