Editorial

Desinformação condenável

Não é de hoje que a coletividade sofre com notícias falsas, informações desencontradas e acusações infundadas. Recentemente, vivenciamos, durante a pandemia, ataques às vacinas e exaltação de medicamentos de eficácia não comprovada. Agora isso volta a ocorrer neste momento em que vivenciamos a maior tragédia coletiva da história do país com as inundações no Rio Grande do Sul.
Desafortunadamente, enquanto as autoridades e os voluntários trabalham diuturnamente para salvar vidas e minimizar os prejuízos dos desabrigados, alguns segmentos influentes se prestam a divulgar boatos que atentam contra o trabalho minucioso e necessário que está sendo feito. As fakes news, veiculadas por aplicativos e por redes sociais, são variadas e envolvem narrativas que indicam ocorrências inverídicas. Entre elas, estão que condutores de barcos e de jet skis ainda estão sendo instados a apresentar autorização para pilotar e participar das operações, que presos de alta periculosidade de Charqueadas estão sendo soltos coletivamente, que doações estão sendo trancadas em depósitos da Polícia Civil ou apreendidas por falta de nota fiscal, que marmitas estariam sendo alvo de fiscalização, que a bandidagem está atacando os voluntários de forma indiscriminada. São tantas as inverdades tornadas públicas que o governo do Estado se viu obrigado a formar uma força-tarefa com o intuito de desmentir tais postagens e preservar um ambiente saudável para quem está envolvido no labor de minorar o sofrimento alheio. Agentes tiveram dificuldades de prestar seu auxílio e foram alvo de hostilidade por conta de versões falaciosas sobre determinadas situações. A desinformação acaba sendo um desserviço e demanda atividade para combatê-la num momento em que todos os esforços deveriam estar voltados para ajudar quem realmente precisa.
Diante dessas práticas que só agravam um quadro já caótico, resta esperar uma reação consciente da sociedade para desautorizar esses arautos do "quanto pior, melhor". E os que cometeram crimes ao impulsionar mentiras, que a lei os alcance na medida de sua culpabilidade. Além disso, seria desejável que cada internauta buscasse confirmar aquilo que repassa na Internet para não fazer parte de uma rede que vai na contramão da solidariedade.