Editorial

Despoluição além dos investimentos

Não se pode pensar apenas em investir para reverter a degradação dos recursos hídricos. É preciso também evitar a contaminação que vem do cotidiano das grandes cidades, como no caso de dejetos e de esgoto não tratado.

Durante as Olimpíadas de Paris, chamou a atenção o esforço do governo francês e demais entes governamentais no sentido de apresentar um rio Sena despoluído para o mundo. Salvo em alguns momentos de retração, o que se viu é que as águas estiveram em condições de abrigarem provas de natação e de outras modalidades aquáticas, premiando um esforço hercúleo do país anfitrião do evento para apresentar, em boas condições, um dos seus cartões de visita para os milhares e milhares de visitantes e para os milhões de telespectadores pelo planeta afora. O resultado final coroou todo o planejamento e evidenciou que políticas públicas podem ser muito eficientes e ajudar na retomada de um meio ambiente saudável e equilibrado.

Para o professor de biologia e ecologia César Pegoraro, educador ambiental na ONG SOS Mata Atlântica, que acompanhou de perto as atividades realizadas no rio francês e pôde ter contato direto com suas águas, o resultado foi surpreendente: “O que eu vi lá, o que eu percebi, é um rio absurdamente limpo. E diria mais, convidativo. Ele tem peixes, tem uma diversidade, uma quantidade de peixes bastante grande. Você tem pessoas, cidadãos, cidadãs remando no rio. Um rio urbano com pessoas de caiaque, pessoas de barco com as suas voadeiras subindo e descendo o rio entre barcos de carga, entre barcos de turismo”.

O especialista disse que a despoluição do Sena deve servir de paradigma para o Brasil. Mas alertou que não se pode pensar apenas em investir para reverter a degradação dos recursos hídricos. É preciso também evitar a contaminação que vem do cotidiano das grandes cidades, como no caso de dejetos e de esgoto não tratado. Dessa forma, ele alerta que não se trata apenas de uma questão orçamentária, mas também de educação para a preservação da natureza. No RS, são diversos os cursos d’água que demandam intervenção, como o arroio Dilúvio e o próprio Guaíba. Contudo, é imperativo que as medidas unam conscientização da população com investimentos públicos pertinentes.