Quando o presidente Lula resolveu meter a colher na guerra travada pela Rússia contra a Ucrânia, faltaram-lhe a habilidade e a prudência necessárias para equilibrar as responsabilidades no conflito, se é que elas podem ser equilibradas, uma vez que um é o país invasor e o outro é a nação invadida. O regime ucraniano é um paradigma do que costumamos chamar de democracia, com uma Constituição e alternância no poder. Seu presidente, Volodimyr Zelenski, foi legitimamente eleito e na sua gestão as instituições, não obstante os rigores da invasão, funcionam de forma aceitável. O mesmo não se pode dizer do presidente russo Vladimir Putin, que vem se mantendo no poder com expedientes considerados duvidosos, como no caso da anulação das candidaturas de opositores e o encarceramento de desafetos.
No último G7, que reuniu as maiores economias do planeta, Zelenski compareceu e recebeu solidariedade e o anúncio de medidas de apoio da maioria dos participantes. Todavia, ficou muito evidente que ele não fez grandes esforços para se encontrar com o presidente brasileiro. No final, as desculpas protocolares foram de desencontro nas agendas, algo que serve mais para constar nas formalidades que propriamente para indicar explicações convincentes.
Na verdade, por detrás desse imbróglio diplomático, está mais a dubiedade de Lula em relação ao agressor e ao agredido do que uma mera disparidade de horários. Mesmo tendo feito a tentativa de realinhar seu discurso desde que afirmou que a Ucrânia também é culpada pela agressão sofrida, não conseguiu ainda ser confiável aos olhos do Ocidente e das maiores potências mundiais. Com isso, sua figura, que ele esperava promissora nesse grande foro, acabou apequenada por seus disparates verbais. Ainda há tempo de reverter e cerrar fileiras pelo lado certo, mas isso é algo que demandará mais ações e menos simpatia por Moscou. Quanto a mediar as negociações, parece que essa tentativa quixotesca já ficou agendada para as calendas gregas.