Em muitas entrevistas, o popular pesquisador e jornalista Laurentino Gomes, autor de diversos livros sobre a história do Brasil, sempre alertou que o problema do racismo é uma chaga que permanece em aberto no país. Milhões de pessoas foram trazidas da África contra sua vontade e, depois de decretado o fim da escravidão no último país civilizado a acabar com esta mazela, essa população e seus descendentes foram alocados em lugares periféricos, sem infraestrutura e acesso a serviços públicos. Essa tragédia social desde então permanece como um traço nacional, apesar das medidas que foram encaminhadas para mitigar essas disparidades.
Muitos especialistas têm se debruçado sobre esse tema, bem como muitas pesquisas e levantamentos vêm sendo realizados. Um dos mais recentes acaba de ser divulgado. Trata-se do levantamento Percepções sobre o racismo no Brasil, feito pelo Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), a pedido do Instituto de Referência Negra Peregum e do Projeto Seta (Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista). Entre várias conclusões, aponta que mais da metade dos brasileiros já presenciou um ato de racismo, mostrando que 60% consideram o Brasil um país racista, a despeito de apenas uma minoria se considerar racista, um percentual que ficou em 11% dos entrevistados.
Diante desses números, que evidenciam que o racismo grassa no cotidiano da coletividade, torna-se imperioso que o poder público e a sociedade atuem no sentido de erradicar essas odiosas discriminações. Muito já se tem tentado, mas ainda não se atingiu um patamar aceitável de convivência saudável entre as pessoas e as mais variadas etnias. É por isso que reparações históricas devem ser estimuladas para amparar no dia a dia dos contingentes discriminados. Somos todos membros de uma mesma nação, com os mesmos direitos a uma vida plena e cheia de oportunidades. A tarefa de lutar por mais equidade é dever inarredável de todos nós.