Onúmero de feminicídios no Rio Grande do Sul, que apresentou dez deles em apenas um feriadão, é algo deveras preocupante e que deve merecer a atenção das autoridades e da população visando a diminuir o total desses crimes, que já se contam às dezenas no Estado em 2025. Em geral, esses crimes são de difícil prevenção e de autoria facilmente identificável, pois costumam envolver autores do entorno da vítima, como namorados, companheiros, maridos ou pessoas com as quais ela teve algum relacionamento, geralmente abusivo.
O combate a essa conduta ignominiosa, que tanta dor traz para familiares e amigos, precisa ser constante e articulado de forma ampla, pois urge ter o engajamento de toda a sociedade. Escolas, clubes, entidades assistenciais, órgãos públicos, todos devem estar dispostos a entrar neste combate em que muitas vidas estão constantemente ameaçadas. No curto prazo, devem ser feitos os devidos registros policiais visando a neutralizar o agressor e a acionar mecanismos de defesa para a agredida. No médio prazo, deve-se fortalecer a rede protetiva para que nenhuma mulher fique sem o suporte necessário nesse momento adverso. Casas de passagem e abrigos bem-estruturados são fundamentais nesse processo de acolhimento. No longo prazo, a par do que já se estiver fazendo com as iniciativas de urgência, cabe disseminar valores de tolerância nas diversas esferas da coletividade, principalmente no combate ao machismo, visão equivocadamente repassada para nossas crianças e adolescentes desde muito cedo.
Nesse contexto, projetos como o das promotoras legais são muito bem-vindos. Essas líderes comunitárias são responsáveis por fornecer orientação jurídica, apoio emocional e por ajudar a divulgar informações sobre direitos das mulheres nos lugares onde moram. É dessa forma, com medidas pontuais e estratégicas, que se poderá avançar no sentido de erradicar essa chaga que oprime as gaúchas e as brasileiras, deixando um rastro de dor, de luto e de saudades irreparáveis para seus familiares e amigos.