A recente lei federal que proíbe o uso do celular em sala de aula veio para dar um suporte legal ainda maior para os entes federados, estados e municípios, que já tinham aprovado normas nesse sentido. Após um período de experimentação, já se pode dizer, segundo análises preliminares dos especialistas, que a iniciativa vem sendo exitosa. Professores da educação básica têm relatado que os alunos demonstram mais atenção nas aulas e o resultado tem sido positivo no tocante ao aprendizado. Igualmente é citado que o próprio processo de sociabilização entre os alunos está ocorrendo de forma mais intensa, além de eles também poderem descobrir novas formas de lazer, muitas delas já experimentadas por seus pais e avós, como brincadeiras tradicionais e a maior leitura de gibis.
O combate ao excesso de telas e a redução de uso na infância e na adolescência têm sua razão de ser. Os infantes são alvos fáceis para meliantes que praticam crimes e abusos na rede mundial de computadores. Não raro, os pais pensam que seus filhos estão protegidos dentro de casa, mas os aparelhos celulares são portas para um universo onde os criminosos andam à solta, protegidos por um pretenso anonimato, que até pode ser desvendado, mas isso bem pode vir depois de o delito ser consumado, o que só aumenta a importância da prevenção. É por isso que o controle do que os adolescentes consomem na Internet precisa ser estabelecido de forma clara e com regras precisas como forma de salvaguardar seu desenvolvimento integral do ponto de vista de sua integridade física e psicológica. A prática do bullying, por exemplo, pode muito ser praticada quando o jovem se encontra entre as quatro paredes de seu lar, não se limitando a esse espaço e ganhando o mundo em segundos.
Diante dessa nova realidade de tecnologias invasivas com práticas que, por vezes, desestruturam o convívio familiar e educacional, resta esperar que as autoridades e a sociedade civil encaminhem as medidas tendentes a enfrentar essas adversidades. Atrás de cada celular pode estar um usuário em formação precisando de socorro.