A vinda da ministra Cida Gonçalves, da pasta das Mulheres ao Rio Grande do Sul, para promover ações com entidades e instituições visando combater o feminicídio é uma iniciativa urgente, primordial e necessária. Os números do Estado, infelizmente, também acompanham a realidade nacional, com dezenas de mortes e milhares de agressões. Os números são estarrecedores e exigem políticas públicas coordenadas e eficientes para dar conta de um panorama que não pode mais continuar. São mães, esposas, filhas, irmãs, avós e netas que estão sendo covardemente subtraídas ao convívio comum e deixando as famílias enlutadas.
Essa mentalidade de violência contra a mulher não pode continuar. A cultura cruel de imposição do domínio machista tem que ser combatida diuturnamente, nos locais de trabalho, nas escolas, nas comunidades e em todos os espaços coletivos. A visão sobre as mulheres precisa mudar e a cidadania delas tem que ser respeitada, bem como sua dignidade. Não obstante avanços legislativos, como a Lei do Feminicídio, que classifica esse delito como hediondo, os indicadores mostram que muito precisa ser encaminhado para que haja uma real proteção para as brasileiras, que já enfrentam um cotidiano adverso para sobreviver e têm sua situação agravada por conta dessas investidas daqueles que deveriam protegê-las. Costuma-se dizer que esses assassinatos têm materialidade e autoria facilmente identificável, pois, como diz o jargão popular, “o inimigo está por perto”.
Já houve algumas importantes medidas no sentido de amparo, como casas de abrigo, varas e delegacias especializadas, bem como as medidas protetivas. Todavia, isso, embora necessário, tem se mostrado insuficiente, até porque nem sempre evitam os óbitos e, quando o conseguem, as mulheres acabam sobrevivendo com restrições no seu dia a dia. É preciso se chegar a um ponto em que todas possam ser livres para decidir seu destino sem correr o risco de ser mortas por conta disso.