Editorial

Hora de planejar e de executar

À medida que o nível das águas no Estado recua, vai se intensificando o debate sobre como lidar com as tragédias climáticas a partir de agora. Além da reconstrução e do apoio aos desabrigados, há que se realizar um planejamento para amenizar o impacto de futuras cheias, que por certo virão. Aliás, o ciclo desses eventos está cada vez mais curto, como se pode constatar pelas ocorrências impactantes de junho e de setembro de 2023. Isso inclui equipamentos, treinamento de recursos humanos, procedimentos adequados, mapeamentos de áreas de risco e edificações em locais seguros, bem como melhorias no enfoque dos fluxos fluviais e precipitações pluviométricas, entre muitas outras questões num problema gigantesco e sem soluções fáceis.
De acordo com muitos especialistas, os planos e programas precisam sair do papel, uma vez que, não raro, os projetos são arquivados devido ao custo em obras nem sempre visíveis. Um levantamento realizado por uma ONG ambiental identificou que, da Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano, apenas R$ 7,6 milhões da LOA do Rio Grande do Sul, de um montante de mais de R$ 80 bilhões, foram direcionados para ações da Defesa Civil. No tocante à prevenção, estudiosos apontam que é preciso haver um planejamento de evacuação, tanto para pessoas como para animais domésticos. Urge haver serviços de contenção de encostas com risco de deslizamento e soluções com suporte na natureza, como a preservação de biomas. Igualmente é importante que haja mais absorção das águas nas áreas urbanas, inclusive com construção de áreas próprias para alagamento, direcionando o deslocamento hídrico.
Como se vê, alternativas existem, mas elas são de média e de grande complexidade. Existem casos em que a cidade inteira terá que ser transmutada. Há que se melhorar também a relação com os rios, que estão sofrendo um processo de assoreamento ao longo dos anos, além de serem salvaguardados para não virarem depósitos flutuantes de entulhos. Também as bocas de lobo nas cidades não podem ter suas vias impedidas pelo volume do lixo despejado em vias públicas. São inúmeras as medidas que podem ser tomadas, mas isso tem que ser feito com toda a celeridade possível, uma vez que a natureza não espera pela burocracia e pela negligência que costumam imperar no nosso cotidiano.