Não é hoje que o país vive uma crise no seu modelo educacional e são muitas as tentativas de melhorar os indicadores, os quais, apesar do orçamento da área ser um dos maiores do orçamento público nas três esferas, União, estados e municípios, estão sempre mostrando uma realidade adversa, a exemplo de diversas sondagens, como é o caso de uma das mais relevantes, o ranking educacional medido pela Organização das Nações Unidas (ONU), no qual o Brasil tem ocupado posições constrangedoras. Na aferição mais recente, ficamos em 89° lugar entre os países participantes dessa avaliação.
Se analisarmos a realidade interna, esse panorama pode ser explicado pelos parcos resultados obtidos na aplicação de políticas públicas que deveriam ser exitosas. Uma dessas iniciativas é o Plano Nacional de Educação (PNE), que apresentou duas dezenas de metas por ocasião de seu lançamento, por meio da Lei 13.005/14. Já fez dez anos e o balanço dos seus frutos se mostra decepcionante em relação às estimativas que acompanharam seu surgimento. De acordo com o levantamento produzido pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, 61% das metas estabelecidas no PNE, com validade até dezembro deste ano, não foram atingidas. Entre os objetivos considerados insuficientes estão os percentuais de crianças nas creches, gestão democrática no espaço escolar, percentual de aplicação do PIB em educação, escolaridade média dos segmentos mais pobres, montante de professores com formação continuada, taxa líquida de escolarização na educação superior, erradicação do analfabetismo entre adolescentes, seleção de profissionais qualificados atraídos por uma remuneração compatível, entre outros itens.
Esse cenário mostra que, se não avançarmos para um ensino de alta qualidade, o próprio desenvolvimento da nação pode ficar comprometido, porque poderemos ter déficit em pesquisas e em produção científica, bem como na oferta de novas tecnologias. É preciso agir desde agora para não ficarmos à margem da competitividade que precisamos para alavancar nosso crescimento num mundo globalizado. Além disso, cada sujeito da sua área de atuação contribui com o coletivo de forma imprescindível.