Editorial

Insegurança na produção alimentar

Não foram poucas as propriedades rurais produtoras de alimentos que sofreram danos variáveis, quando não a interrupção em definitivo de sua atividades por conta do comprometimento total de sua produtividade.

Por muito tempo, as mudanças climáticas pareciam tema abstrato para grande parcela da população. Todavia, ultimamente, com uma série de fenômenos influindo diretamente na vida das famílias, o assunto entrou definitivamente em pauta, demandando os setores públicos e privados a encaminhar medidas tendentes a minorar os impactos dessas ocorrências danosas que se tornaram frequentes. Incêndios, inundações e estiagens são a face mais visível desse desequilíbrio a que a natureza foi submetida.

Entre os diversos problemas oriundos de tais intempéries, estão a migração forçada de diversos contingentes populacionais, mortes e desaparecimento de vítimas, destruição de moradias a partir do sumiço de bairros inteiros e até de cidades, desemprego, doenças contagiosas derivadas das cheias, entre outros. Um deles, igualmente grave, diz respeito à insegurança alimentar advinda das consequências sobre as áreas de plantio. Não foram poucas as propriedades rurais produtoras de alimentos que sofreram danos variáveis, quando não a interrupção em definitivo de sua atividades por conta do comprometimento total de sua produtividade.

Para debater esse tema e levantar alternativas viáveis para fazer os alimentos chegarem em boa quantidade e qualidade para a coletividade, além de serem comercializados com preços acessíveis, especialistas e órgãos públicos estão organizando fóruns temáticos visando a obter subsídios para projetos e programas de apoio aos segmentos mais vulneráveis. Um desses eventos é o 6º Encontro Nacional de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, realizado no Rio de Janeiro, na semana passada, com apoio do Ministério da Saúde (MS), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Iniciativas desse teor são muito oportunas e devem gerar resultados o quanto antes, uma vez que a fome não espera.